Maio 2019

Akrasia

Persona

Pessoa, Mask, Máscara, Akrasia, Spiritu, Forma, Jogo, Trapp, Brinquedo

A pessoa que somos aparece nos traços de nosso caráter, iluminados. 

Uma pessoa émais que uma máscara. E éa cara que apresentamos, o que mais se mostra. 

Acreditamos que somos de um jeito. Mas são as outras personas que dizem o que aparentamos.

A gente se fantasia da gente mesmo, e muitas vezes não somos descobertos. Por mais que tentemos nos inventar melhor, o mundo nos revela a outra face.

Um rosto  também oculta o que pensamos ser.

E nem tudo évisto. Algo fica de fora. 

Aprende-se com o outro a nos tornarmos a personalidade da feição viva.

Quem nos vêreconhece.

Brincamos com a máscara. Damos a ela mais vivacidade ou menos. Fazemos caretas para dar sentido a uma coisa e a outra. Se gostamos ou não. Quando nos fazemos de indiferentes e quando dizemos verdades.

Então mentimos sobre a nossa beleza e bondade ou o contrário. Faz de conta que éassim que sou em família, entre amigos, com a vida social.

Muitas vezes a máscara cai e nos pegamos vexados, envergonhados, tímidos e arrependidos. Outras vezes que entramos em um lugar inventamos a compleição de santidade, de angelical sentimento. Muito disso acontece em cada espaço.

A expressão da cara, a máscara, a pessoa, a persona se repete e se faz diferente. Na escola, no templo, no grupo de amigos, no trabalho, junto aos mais próximos, e com completos desconhecidos nos fazemos outro, alguém aceitável para cada ocasião, para cada momento.

O que somos transcende o tempo, a forma, os territórios por onde me estabeleço com a pessoa múltipla que sou.

Somos a beleza refletida no espelho, carranca, e monstro, estranhos por sermos o tempo todo feitos das relações e interações tão contraditórias. Bruxos, magos, feiticeiros, santificados super-heróis, grandiosos e salvadores, terríveis e bons, corajosos e temerários. 

A normalidade cansa, deseja-se ir além. Portanto brincar de ser quem somos para descobrir que somos a promessa de ser, uma vontade ulterior que não nos pertence e, com certeza, imaginamos seriamente, está com aquele que nos vê, percebe, sente, e poucas vezes se nos compreende. 

O que são partes da história está personificado em sua totalidade humana. Reflexo do que conhecemos, adivinhamos, símbolos de um passado no presente, sinais que recuperamos em nossa constante transformação.

El Jardín de los Excluídos

El Jardín de los Excluídos

En el jardín, donde florece el Colmo sin invierno, Santa Bárbara es una arbole llena de horas calientes como son los rayos. E allá esta la magnifica Ulmo, un grandioso árbol que se desmantela y se nasce, quiebra y insiste en volver a la vida. Son sus brotes verdeados de dulce claro.

Tumban abajo, caen llenos de esfuerzo en mantenerse arriba. Cuando el viento la solapa con un tapa fervoroso en la faz, no se retrae. En un balanzón sincero se mantiene. No es como la ola cínica. Un árbol no lo es así. Pero esta allá en su magnífica presencia a equilibrar con raíces anchas, gigantes de moluscos en su eterna senescencia.

Abajo están en su sombra los mayores con cigarrillos perfumados. Están las señoras con una sonrisa permitida. Adelante los chicos y chicas bailan a su alrededor con maderas en la mano, empuñan sus bicicletas y salgan volando en el verde gramado. Otro bien chiquito salta arriba, como se fuera alto en lo brazos de un amable abuelo. Alto, alto ere lo dicen. 

Ninguno lo puede oír. Es alto hasta el hombre de bracos largos a extender el cuello que anida su mas precioso realizado sueno. 

Que sueno de ser en la plaza, en los recintos calmos de todas las republicas y de todos nosotros que pasamos. 

Extranjero en cualquiera, miro en que percibo. En que no me puedo contener en el sortilegio de comprender la muerte frente a novedad fantástica de la vida que se quiebra y renace. De un lado siguen las familias con sus niños que  ahora, en la plaza, en el largo, en el jardín de niños. De otro el café agradable incrustado en la casa de los muertos. A los niños que se fueran, donde jamás, sin dolor, alguno día sus padres, abuelos, hijos, amigos, esposas, madres como que seres de otros mundos pasarían sin comprehender en nada, el motivo porque los niños mueren, ni mismo es posible entender porque ahora, allí están y brincan.

En el entorno están. Y el calvario magnifico lleno de una memoria cruel, no sostiene sentido para los que pasan. Un día quizá puedan decir que el rey esta nudo. 

Los niños siguen en sus caballitos libres, armados de sueño. En un fin previsible que vira de culpa, de dolor, de miedo, de horror en espacio de los libres. No lo sé, sincero, case sea, casi lo dijo que es así mismo. No se hace costumbre de un buen recorrido en las tumbas con chistes y alegrías infantiles, ningún abuelo salta y apunta para que salte y lo se pueda acontecer de saltar. Los muertos, con la misma clemencia amorosa que los abrazas vivos no tiene en igual sentido alegría alguna de encantar. Incluso encantaría los muertos.

Imagino poder me salir de todo eso, que estoy en un parque donde es normal los vivos pasearen con los muertos. So puedo pensar cuanto es terrible la marca que al herir los gallos se quiebren, vengan abajo los frutos, pero sigue a rebrotes constantes. 

-Un café.

-Cortado no.

-No. Puro.

-Solo, entonces.

-Ancho. Largo, lleno y completo.

-Doble.

Es como pensaba, caliente, bruto, perfumado con la sangre de la rubiácea, en luto, en el esquife del pires, y solo.  

Santa Bárbara no se permanece, ni sus significados y sentidos que al aire latino hecha de estupidez sardónica. No vive, mismo en Brasil ella se derroca de las cumbres perdida.

 Bebo la contradicción insuperable de extranjero en mi país.

Norbert Elias em Winston Parva

Norbert Elia, about Winston Parva and connections with Zeno of Elea

A corrida de Aquiles com a lebre, uma tautologia perdida e reencontrada na ação conjugada entre dualidades: dentro e fora, cheio e vazio, finais e iniciais, marcas de um tempo em um espaço. 

Zenão de Eleia utiliza-se de uma armadilha, ao definir que o início é por si mesmo o fim, e assim, um final em si, causa um significado ao que seja a disputa, e a conquista de uma meta em seu ponto de chegada. 

A oportunidade é a lei cujo sentido seja de que a ação se basta, a intenção move o resultado, deixando prévio que a propriedade de conquista se realiza antecipadamente a qualquer outra tentativa de outrem. 

Se as marcas de tempo são definidas no espaço, entende-se que o processo de apropriação de um lugar estruturado e finito possui uma forma de apresentação e pertencimento.

Norbert Elias possibilita entender que os chegaram primeiro – e da primeira e única vez, tal qual se configura a lenda – se antepõem aos que vieram ao depois. O que está em jogo é a condição revelada do poder. 

Para a aristocracia ateniense, o sentido de ser gente está relacionado à formação guerreira e à política, o poder, os que não obram – nobre –, diferenciam-se dos que são para a obra – pobre – o que define um caminho de separação, de divisão de um para outro grupo a estabelecer a ordem hierárquica do poder em suas marcas representativas, da dualidade entre poder e submissão. 

Referencia antiga dessa hierarquização da sociedade está no que obra (opera) e se constitui no operário, que realiza o trabalho (tripolium), pobre (para a obra), e escravo (cravado). O mesmo termo do inglês “slave“ (de eslavo (os que trabalham na lavoura, na lavra), também chamado de mujique, servos da gleba. 

O poder em Winston Parva surge do mito dos que chegaram primeiro, da posse da terra, do território compartido na geografia .

Essa apresentação circunstancial ao texto de Elias faz com que possamos entender a ordem desse discurso em sua organização relacionada ao nome Winston Parva. O lugar existente que não se faz lugar de existência real.

Para entender que Parva é um nome latino que tem a sua representação muito evidenciada no que seja estúpido, sem entendimento claro, indefinido, sem vontade própria, incapacitado, impossibilitado e destituído de inteligência. A palavra anglo-saxônica Winston representa  o bem-estar em ser pedra, o marco de pedra feliz, a pedra vencedora, a âncora de pedra em sua alegria, e melhor, a alegria em ser pedra ou pedra alegre (joyful stone).  

O nome, portanto, como um trapp antecipa o texto propriamente, mostrando que as condições reais das situações de poder são demarcações simbólicas de uma posse de valores como que superiores aos demais, e, parece que Elias mostra claramente que se trata de algo que não suporta um sentido, algo parvo, algo que pode se pensar existir como que pudesse a pedra sorrir, a pedra ter senso, capaz de tino, de então sentir e se manifestar. De que, por fim, a situação esparvada  se mantém inerte, na sua mesma posição de pedra. 

Winston Parva mostra a corrida impossível entre Aquiles e a tartaruga, expressa que um mundo sem vencedores só poderá existir na demarcação simbólica do que sejam os vencedores que, possam então, receber o prêmio por tais conquistas – também simbólicas, porém válidas na sociedade. 

Ao primeiro passo, como se percebe, o vencedor, explica a tautologia de Zenão de Eléia.

Elias demonstra que o simbólico, o que pode ser entendido em um mundo racionalista, de um pensar estabilizado que os que chegaram antes estão hierarquicamente superiores aos que chegaram depois. É um lógica também geográfica da demarcação da terra, da propriedade privada, da propriedade social compartida, do espaço definido a um modo de existir e conviver não ainda assimilado para os novos, para os chegantes. Assim também se demarcava a terra a ser colonizada com o símbolo da pedra, da estela com o selo real.

Ninguém mais terá direito depois que disse: é meu.

A pronúncia da palavra que se faz viva, carne, que se realiza e manifesta-se no entendimento do outro, daqueles que estão, nesse sentido, submetido ao que em primeiro se manifestou.

Outra relação, demonstrada por Elias é o sentido do tempo enquanto antiguidade vivenciada, e que por isso, não conhecida dos que chegam é o apanágio, ou melhor a cultura desenvolvida, o conhecimento local como garantia, e mais, que tudo, no sentido mais conhecido a maioridade desse tempo, as duas ou mais gerações de práticas e experiências que se demonstram superiores. Nesse texto ainda, Elias nos leva à tradição elíptica do saber. Os maiores, os que viveram uma vida, os chamados idosos – decrepitude -, como força e poder revelados nas suas marcas, nas rugas, no tempo dilacerado. Trata-se de uma antropologia do ser social, em suas posições definidas no tempo, consideradas como valor intrínseco.

Na antiga Grécia o conselho dos anciãos, o respeito ao antigo, a devoção à memória do passado e sua representatividade está, subliminarmente presente no texto no sentido de continuumde tradição em sua validade, a respeitabilidade na hierarquia de poder a partir da construção cultural e sócio-histórica da realidade.

O estigma, a marca, o símbolo, enfim definiria o que está longe ao que está perto. Os que vieram de lá aos que são daqui. Outra interessante problematização integrada subliminarmente se trata da xenofobia, do estranho, do diferente, do que não pode ser aceito.  Como explica que na sociedade atual se interpõem conceitos para justificar dada situação a fim de submetê-la a outra. Explicita-se preconceito, desapego, indiferença, proteção contra o que não está estabelecido ou conhecido, ao diferente e ao que não pode ser reconhecido. 

A estigmatização se completa quando o grupo estigmatizado se tornar completamente estigmatizador também, quando então se apropriar de seu estigma. Essa condição é necessária para que a relação de poder tenha ampla ação de um sobre outro. Definindo portanto, os limites sociais, de território de ação e geográfico de suas manifestações, compreendendo sempre que estas expressões estejam dentro do que foi-lhes impostos como estigma.

Exige grandes mecanismos de controle para que o estigma não se perca. A imagem de si, de identidade de grupo é uma forma visível enquanto simbólica de sua representação singular. Mesmo na perda econômica a posição de poder continua no imaginário sociocultural definindo-se como casta de valores imprescritíveis no tempo.

O grupo estigmatizado se lhe adensa a vida e se apresenta em todas as suas manifestações, inclusive as que tenham a intenção de exterminar o estigma.

O mediador da sociedade moderna seria a justiça enquanto espaço de reivindicações contra a situação diferenciada. Como o setor de poder de justiça se estabelece na legalidade, torna-se necessário que as mudanças aconteçam ao mesmo tempo no espaço sociocultural, legal e em sua aplicabilidade de justiça.

Nesse sentido a luta estendida abriga grandes diferenças compartidas em pedaços mínimos que não se ajustam a uma totalidade real da situação estigmatizante. O que demanda outros modos de percepção e conhecimentos para se avançar a um equilíbrio social com justiça.

Em um mundo grupal, de valores definidos, o diferente é repelido. Nessa antropologia social entende-se que a exibição do líder converge a seus membros, e o contrário também se lhe dá. 

A humilhação pública do diferente, do que se faz estranhado na entranha grupal organizada impossibilita no imediato a sua continuidade, define-se a separação em uma ordem de poder cultural.

Não são, por isso mesmo, apenas as regras morais separatistas que implicam a uma permanência a um modo grupal e social. O costume, a moralidade, exigindo que constituam-se como valores representativos,  são possibilitados a partir dos mecanismos de controle, através dos aparatos de poder em constante movimento.

O estigma, as marcas da exclusão, da vergonha pública torna-se também um valor visto no ângulo de sacrifício personal ou pessoal. Os denegridos e denegrados, expulsos de uma ordem grupal, de um grupo organizado como o militar, a marca do escravo, de quem deve, de quem roubou, ou de quem esteve na prisão com suas tatuagens demonstra a reunião de valor da própria situação excludente. 

Na psicologia social comunitária, em formação de grupos, a reação dos que se colocam acima se faz justificada na medida que o outro grupo luta em não ser estigmatizado, realizando exatamente o estigma. O grupo estigmatizante, impinge categorias negativas que necessitam de aceitação.

O grupo o grupo eleito “ensina” ao estigmatizado o que devem fazer para que haja a reação comprobatória de quanto merecem a exclusão. É um demonstrativo composto que emerge da resposta, ação confirmativa do grupo dominado. 

Elias também explica como os diferenciais de poder, extremamente grandes, acabam por realizar uma exclusão sem grandes dificuldades, ou sem grandes problemas da sociedade estabelecida. Veja-se o que diz Torqueville quando viu – e provavelmente viu o Chefe Seattle -, a caminhar em direção à reserva indígena do Kansas: Eles caminham em silêncio, cabeças baixas, apesar de armas em punho, não se agitam, cumprem com valor e sentimento a vontade da lei. 

A materialização do estigma e da exclusividade dos estabelecidos os põe “outsiders”- foras da lei -, e novamente internamente também – mesmo na presenças -, se reconhecem como “os de fora” e por isso a identidade é não pertencerem. Estão de fora.  

Por isso, com certeza, não compreenderiam a regra tautológica de Zenão de Eleia, acusariam que de acordo com suas próprias premissas, com suas relações o sentido que desejarem no conjunto de seus interesses e vantagens regradas.

O estigma nasce da manutenção e fixação de uma só verdade para uma realidade suficientemente válida. Trata-se de uma fantasia, de crença onde a incerteza não é suportável.

A materialização também pode ser vista na testa de Caim, a marca da corrupção do homem. Essa marca mostra-se viva aos olhos divinos dos que foram expulso do paraíso, aos que foram postos fora.

O secreto escondido do marionete manipulado por fios invisíveis, no final do texto se define em um lugar cuja coesão dura e densa como a pedra se realiza na estupidez da crença de independência, da individualidade bastante em si mesma, da qual vestidos de certa alegria em suas posições no universo social, de certos valores creditados, apresentam-se no teatro da vida, e em Winston Parva.

Sejam quais sejam: em relação a um tempo, a uma forma, a determinado conteúdo, a um modo de ser, a estruturas niveladas da sociedade em que vivem.

My suggests: Try read the book Vigotsky’s Thoughts Introduction

Introdução ao pensamento de Vigotsky – jun/2019.

A verdade custe o que custar

Fico muito grato com o convite, e quero dizer hoje para todos vocês o que não posso dizer. É uma tortura que compõem essas palavras tripartidas como fosse, para o agrado ao erro, um caduco proferir. Há em mim uma crença de descrente que a escola, a universidade, o ensino em sua totalização educativa revelada nas ciências da Educação seja uma tecnologia. Uma estrutura tecnificada, pensada tecnicamente como um método bastante e suficiente, e em uma suficiência tal que alcançaria a todos de uma só vez em sua aplicabilidade da qual o humano, como ente secundário do processo – já finalizado em conceitos – esteja de alguma forma acoplado.

Sinceramente, ao bem da verdade, e que assim o seja, o irrefutável só podendo ser com a lógica, a que a linguagem produz, e, não havendo outro caminho, chegamos ao início, no momento de utiliza-la, e ao fim antecipadamente previsto. E se nos põe um preço. O mais comum com o infernal abstrato, do número que insiste ter algum significado, em ter algum sentido, mas não passa de um amontoado de quantidade em que, por fim e de início – já antes esplanado -, se diz resultar.

Resultado sem resposta, sem a mínima revolta, sem outra coisa de sujeição ao abstrato. A verdade verdadeira dança. Assim, que a dúvida, que se nos dá a incerteza é ao menos a categoria que prevista, remonta a um esquema elucubrado dessa logicidade em que os parâmetros morrem nela mesma e renascem como que nada. A incerteza da verdade em sua reviravolta, quando se debate, e quer que se diga, verdadeiramente.

Partindo de um subjetivo, e chegando nele, se pensa. A fala, a escrita, o interno do pensar em que as palavras pressionam a dar sentido aos significados tão vividos de mundo, de tantas variantes variações relacionais em que o interagir a cunha, a modela. O abstrato é alcançado em uma linguagem da linguagem. Há beleza nisso tudo. Só e somente quando infere-se na vida humana como que útil, enquanto que se sabe desde o início e em seu fim, de certa cognoscência humana a que se pode dizer que terá ou tem, enfim, alguma aplicabilidade por princípio.

E que se tenha a abstração desse ponto de vista tão subjetivo possa engendrar. Esse tanto que perto e presente e, ao mesmo tempo, distante e fora do caminho, a manifestar como verdade verdadeira o que se lhe condiz. O ser abstrato sem ser – sem ser nada -, funcional no tempo, vazio e cheio, invisível e presente a ser revelado na coisa, no uso. no tempo relacional e interacional que a história humana conta, como que algo extremo, fantasmagórico. É de todo teoria subjetivada e em sua abstração calculada de linguagem própria, permanece e não dura, e não permanece e é tão constante em sua linguage. É uma coisa sem sê-la sem conotar uma razão última, a denotar sim, a trasformação da aplicação. Mas não humana em que se reveste a possibilidade, como acontecimento ético, sem tornar-se por isso escolha, mas um dado. 

Parece até que o abstrato é uma opção optativa. Parte de algo existente e se reduz, aumenta em probabilidade. O abstrato é mais inovador, o subjetivo mais criativo. Penso que somos de alguma maneira, na desatenção recorrente ao que o pleonasmo indica, de uma sinceridade verdadeira. Em um acaso que findado em seu ocaso, por isso reflexivo, de um algoritmo que mostra o feito, e do feito a quantos caminhos mais. E é por isso que reduzo aqui a intenção de levar o tema adiante com todas as suas peripécias. Fujo disso.

Quero algo que se apresente de uma vez por todas como evidência de comprovação do que seja uma verdade custosa que porém se pode pagar, afinal, com a outra verdade aparente, material e, ao mesmo tempo subjetiva de valor, e, também, abstrata quanto ao seu tecido impermeável. Em tudo que se pode revestir, a revelar, e a dizer algo como: é assim que as coisas acontecem.

Essa vontade, um tanto melodramática de reduzir ao mínimo possível, que possa oferecer-se. A dizer algo como: veja, sou eu a verdade, estou aqui. 

A verdade nua. A verdade, ela mesma. Nua e crua. Está por aí, vestida em toda a sua abstração. Talvez o abstrato não revista verdade alguma, nem a desnude. É como que se alcançasse o que liga os pontos, um a um até a conformação trágica da figura. É uma imitação ou um recondiconamento do motor da linguagem, usando os significados e a cultura neles que a história produz e dar-lhes um sentido esperado, ou desesperado porque ocupa disso, desse rés do chão do que se expressa a indicar das estéticas o aparvalhado significado carregado à coisa, e a se dizer, esse amontoado mecânico, essas co-relações fragmentadas, como punição à palavra. E se pode dizer, para chatear de vez o abstrato: eu bem que nada deveria ter dito. Mas em solilóquio, não, no subjetivo mais densificado. Mas, se sabe que o abstrato reprodutor dilacera a carne das palavras, disforma, conforma.

Entrópico, Entalpico, realiza ao bem fazer, o tropismo que vai feito foice a rasgar a carne do caminho em uma totalidade humana que quer reduzir e reduz, faz minguar arrestar o significado. Que pudesse se dar em exemplo, e que não nos custasse os olhos da cara. E que, por assim dizer, solucionasse o que poderia dizer, seja, enfim, verdade.

Hoje, se pode dizer, o pássaro imita o avião. O intestino do abstrato, aquele tubo neural faz a produção das tralhas: ah! – diz o subjetivo -, se existisse uma coisa assim! Pronto, acabou, lá se vai ao tempo de construir a fórmula, encontrar medidas, realizar cálculos e produzir o pensado. 

O existir de descartianos tantas vezes descartado é uma verdade sem pensamento. O que não existe realmente é a totalidade expressiva, na tentativa de minimizar o ferimento da ferida terrena da verdade verdadeira. Claro que, se pudermos ponderar à balança de uma justiça que se proponha a alcançar justiça por uma balança de medidas, materialmente não presente, que no entanto, simbólica, produziria, por assim, o desequilíbrio, e que de forma proeminente ao se mostrar em sua tortuosidade, isto é, torta, como uma madeira pensa, e pensada. Portanto, a se apresentar essa variação do que é variante – de alma humana -, de tal forma contundente que se proponha através dessa percepção, – aqui como significado e eficácia legal custeada e custodiada à tipologia -, em se apresentar ao que está de direito.

Bem, seria claro que a veracidade do que se apresenta, em sua tortura, no estado contrário do que seria previsto de normal, no evidente desequilíbrio da forma orgânica para que enfim se possa ponderar em outro prato da balança o alimento que produzirá à medida correta, a se dar o equilíbrio. Trocando em miúdos, se o dinheiro nos der as condições, o subjetivo causa isso. Ele se enfia nessa prolixidade e vai cavando novos significados quanto mais se vai ao mundo, e o mundo inteiro se joga de uma vez. E é pesado demais. O subjetivo não tem a leveza do abstrato enquanto abstrato. A verdade verdadeira se enterra quanto mais se cava.

É bastante engraçado que a doutrina que tantas vezes parece maquiar o estado, a dar-lhe outra representação psicológica do que o aparente se toma como ponto de partida, como algo verdadeiro. E, somente verdadeiro em consonância a uma legalidade prevista, porém, se nota, uma legalidade imponente que faz sua aparição fantasmagórica sob essa dúvida punitiva ou assertiva. Vem nadando, sabe lá de onde, em uma estrutura conceitualizada, isto é, represada de tantas variações a se tornar, coisa concreta em que se parte a interpretar e a confirmar, sim, e a negar, não, o que pode ser no que poderia ter sido, no que se mostra e no que é modificado com a situação dada em um ‘que se aplica’ sem muito considerar que essa conotação também é, e de todas as maneiras variantes, ao que, por evidência se implica. Vamos às moedas menores que o troco é muito.

Não se pode aplicar a tudo, de tal forma que pratos vazios em uma balança tratam de ser o equilíbrio abstrato da forma em seu conjunto. Conflitante a isso, se entende como verdade de direito o desequilíbrio, e no desequilíbrio só há justiça nos tipos que estruturam a lei, isto é a linguagem. Pode-se proclamar que a interpretação do desequilíbrio pode alcançar a verdade. A única verdade. A doutrina quer ser uma fórmula matemática, ou uma física, trocar de posição, quer virar ciência. Mas parte do conceitualizado, do aparente estruturado, doutrinário para se realizar como um valor que das medidas dadas constrói as suas. Quer produzir eficácia ou quer produzir o reprodutivo do abstrato, usando o homem como ente de direito. Quer se nomear, uma panaceia que muda de cara para dar na cara. O legislado, na ordem legislativa que se estruturou, o doutrinário que aporta como conceitual que prenha a interpretação, e a resposta julgada de uma verdade sugerida como resultado.

Mas há um modo suspeito de que o abstrato, traduzido em uma linguagem conferente se realiza, a técnica. Mas falemos disso logo mais. Enquanto isso podemos mastigar o chicletes de justiça à verdade que a cada mordida ganha outra forma, e que o maxilar das palavras cansadas, agora dispensam.

A verdade de que nem todos têm o que ponderar nos seus pratos. E que se escamoteia o interpretar em uma técnica que introjeta um processo. O método metodicamente metodolizado. Tal procedimento que é como recortar pedaços estruturados do código da linguagem para enfim promover a resposta, na luta por ela. Claro que nem todos vão entender que trato aqui da justiça da verdade, o estado real de sua dilação uma vez e porque o contraditório impõe o pensar, o torto, o incompleto.

E isso tem um custo. Custear a justiça que deseja buscar a verdade é uma técnica dispensável porque, – a bem da justiça que se faça -,  teríamos que compor dessa balança abstrata a crença do irrevogável torto, do que fica penso, de que se propõe, como em Descartes, o logo existo que é, nos fins das contas, muito caro. E a se constituir de metáfora, de uma palavra que percorre o mapa feudal, por ser tão subdividido e por ter apenas aqueles que se arroguem ou tenha habilitação para o realizar, segue em uma sinonímia infrutuosa.

Há nisso um previsível. O suserano justiceiro, constituirá por verdade, até mesmo o que por falta dela se espelha. Todos os demais dessa relação, se diz, que aos servos os direitos de servo, e ninguém mais estaria acima da lei. Tal lei impregnada, evidentemente, das verdades que a estruturam, do suseranato historicamente presente na cabeça conceitual estruturada. É uma forma, por isso formativa, formal da verdade que se quer verdadeira.

Parte-se de uma crença de que o suserano legislador se põe à mesma medida da lei que realiza. Então tal crença tem por valia a nudez que ora e outra hora no processo do desenvolvimento dessa humanidade, a um tal criador de leis tem seu prato cheio na mesma equivalência de quaquer outro, de um qualquer, de um singular presente na sociedade, a dos servos de todas as glebas, de todas as sesmarias, de todos os feudos. Dessa forma, e assim seguindo, descartaríamos essa dialética, essa hermenêutica que como mesmo se diz, desde os mistérios de Hermes se esconde à sombra do comércio das técnicas em troca de bens materiais que não se mantém intactos.

Eles, por serem objetivação do objetal, do dado presente tornam-se facilitadores de um uso objetivo. Isto quer dizer, faz do usuário o próprio instrumento que se acopla ao mecanismo criado. Tecnicamente estabilizada, lotada de processos, a fazer justiça, de verdades integradas em uma única, feita de tantas dúvidas e de tantos tortuosos pensamentos. É assim a tecnologia, consistente de pensares que se cristalizam, ao menos momentaneamente, à coisa funcional, utilitária. Mas e antes disso, o homem cheio de pensamentos que entre correspondências lógicas, estrutura processos sistematizados.

A tecnologia que usa de tantas técnicas para ser o que se apresenta. E é tão rara em sua meretíssima verdade que pode julgar as outras técnicas e dizer a elas: vocês aí, suas técnicas que falharam, vocês estão erradas.

A técnica pela técnica, aos mistérios de Hermes, não subiria uma jarda, um milímetro acima do que pisa. É o que é. E mais ainda, uma verdade que não se basta, necessita de outras, as de outrora, as presentes e as que ainda estão para nascer. Mas está prenhe de significados, no entanto, não possui em si sentido algum, necessitando do homem para integrá-la e dar a ela, uma razão qualquer no sistema. 

Hermes que nos avulta e nos avilta por três caminhos feitos em um só. A reta diretiva dos três movimentos. O que está acima está no que está embaixo, no meio caminho, em algum lugar lógico, físico-matemático de sua incerteza, de sua existência provisória. Realizar a justiça da verdade como verdade verdadeira como prova substancial na aplicação casada do abstrato ao subjetivo, apenas através da técnica que como uma doutrina, um sistema operante realiza a tecnologia.

E o que fazer, voltarmos à empiria ou ao fenômeno, ao possível de uma prática social discutível, ao conformismo resignado de que partimos da luz de Palas que esmiuça a escuridão para enfim cairmos ao baixo, à terra do comum? O que, acima de tudo é necessário, e ao abaixo de tudo, de lavrarmos o campo ingrato? E em se considerar que temos a semente que tem chances de produzir a resposta? Palavras, conjugações relacionais, as que nos levam a interagir, para confirmar ao menos suas existências. E a infundir delas todo um pensar que se torna conhecimento? Que possam, portanto verdejar ao serem expressadas, ditas, ousadas, interlocutadas, apresentadas? Onde, no mundo da técnica. A não ser que toda a lavratura desse processo não passe de tecnificação diabólica do caduceu.

Palavras. Imagina-se que ao serem reconhecidas, conectadas ao entendimento, apreendidas desde um processo gradual de aprendizado se lhes faça, a custar ao preço que se lhes dá, na ventura de um saber. O estranhamento subjetivo, em que se faz assim, como que perceptível. E se pode lhes dar sentidos. 

E é o que, ao menos por agora, ao se repetirem, – em se determinarem em sentidos -, permite que o momento, um tempo exíguo, seja tal composto, de tudo que se lhe permite caber, como se houvesse capacidade, e de estrutura tão sem tamanho, em tantas vezes feito e refeito de instantes, que aí está, disponibilizado. 

O momento como que um infinito pensado em tantos instantes que se constitui de uma vez em palavras. E se fosse assim. E se assim o fosse, o momento seria como a tecnologia. Seria apropriada, e a se dar a existência por perda simbólica, por uma economia, que por viver da falta, que sem nenhum outro custo, pudesse ser compartilhada. A se compartilhar a falta, essa economia, que se determina em um custe o que custar. E se realizaria o pensar como técnica, a linguagem como técnica. E se poderia amar tecnicamente, poderíamos, pensem, dar beijos técnicos, e tecnicamente poderíamos desobedecer aos técnicos, nos utilizando de nossas técnicas e marcando gols contrários. Ele nos substituiria facilmente por outra coisa técnica parecida a nós.

Seríamos a tecnologia integrada em tantas técnicas já prontas, e teríamos em nós nenhuma criação, sem criatividade alguma, seríamos a infelicidade humana feliz. Viveríamos de inovação. Novidade da reprodutividade, a maquiagem, conversaríamos de forma dialógica, todo o mundo ouviria a nossa voz a dizer o que se quer ouvir. E visitaríamos outros planetas, e se houvesse neles, quem quer que seja que viva lá, nós os quebrávamos ao meio produziríamos coisas para que eles seguissem como uma fé que a custa da verdade verdadeira não suportaria a subjetividade, mas viveria afogueada, felicidade constante da abstração aplicada.

É uma pena. Infelizmente, Palas, a deusa que lavra verdes verdades percorre ainda o antro humano em sua pequenez histórica, ainda tão jovem, feita de submissões de verdades construídas na formalidade simbólica em que se pensa, por se realizar muros, separações, feudos, classificações, possa se dizer que até o momento são bastantes em si mesmas.

Dirão, claro: o custo do saber transformado em conhecimento por ser amplamente reconhecido em seu compartilhamento no mundo dos que andam torto, dos que pensam é justamente o preço da verdade. A nos custar, irrevogavelmente nada mais que a mísera e esfomeada técnica que existe por futilidade facilitadora em se alcançar, e ao que não mais se enseja, todo o conjunto da balança que se julga existente na cabeça peremptória das gentes que crêem tecnicamente, na justiça dos homens, tendo às suas frentes a injustiça dos pratos vazios.

A verdade que se realiza na falta dela, verdadeiramente enquanto seja o seu contrário, seja a sua dissonância, o desequilíbrio abstrato e tão linguajeira, humanamente defectivo. A verdadeira verdadeira e um erro que faz sua aparição no cemitério das verdades por onde ainda anda perdida Palas com seu lindo bordado, a cabeça de Medusa renascida.

O que fica fora dessa discussão é a ciência que se utiliza da técnica para construir suas verdades, e a generaliza para retomá-la e a prevê-la como que informes de calendários. A dizer assim que incrementa a esses poucos reis, a sociedade vassala de pratos cheios para as gentes de pratos vazios. 

E a se achar intérprete sã do deus Hermes, usa da técnica, da fórmula, do algoritmo. A ciência banhada nas águas de Minemosine, descansa no Estige desses tempos. A ciência cristalizada, formal é como o momento feito de instantes. E ela toda feita linguagens, feita da linguagem humana a custar a vida dos homens, a eliminar a humanidade humana. Generalização da técnica, que não cabe na doutrina mas que se pretende usar delas como tecnologia de suas verdades, as que se conformam à sua funcionalidade, tão útil na manutenção de suas crenças.

A verdade disforme que anda sem caminhos porque está pensa e ninguém pode restituir-lhe à sua inteireza. É a técnica, tecnologia da reprodução em sua metodologia, desejosa de aglutinar todo o sangue histórico, cultural e social humano, pegar de uma vez todos os culpados de ousarem desobedcer à lógica dedutiva das coisas dadas, de transformá-la em lógica condutiva do porvir, de medir através de seu metro, de sua metodologia o devir. E dizer que é assim e assado, que não vale de nada os fenômenos akráticos, e nem a mais ralenta e pobre empiria, porque não vale em nada a vida humana, em nada as contradições da existência. 

E é por isso que a tecnificação do conhecimento, da universidade, de toda a Educação quer atacar a singularidade humana. Deseja muito grudá-lo ao pensamento estruturante-estruturado, tirar toda a linfa, todo o plasma sensível, qualquer estúpida lágria, espremer o ser humano e secá-lo como que pudesse dar-lhe, em nome da vazia técnica, a vida. Quando não mais que a reprodutibilidade em seu constante descarte, a técnica pluga o pensamento pensado, prensa esse pensar como que conceito.

É a estupidez inteligente em processo. O autoritarismo da forma. O conceito feito uma represa de águas a matar a maioria da vida para produzir a energia. Conceito que cerca as galinhas e se nomeia galinheiro, escraviza os eres em sua brutalidade. A ditadura do conceitual: você tem de ter competência para falar isso que está falando. A técnica como persuasão sistematizada na tecnologia a coisificar o homem.

Mas a tríade de Hermes Trimegistus ressurge. A subjetividade humana que nos presenteou a ciência, e ela, grande Palas nos oferece ao menos, a certeza gratificante do incerto. Entre o que está em cima e o que está em baixo, a incerteza do meio caminho. Keife de felicidade onde está o sujeito humano. Feita de aplicabilidade ou pragmaticidade, de técnica, de método ativo a ciencia se relaciona com o homem, a totalidade integral, a tecnologia que é tão clara por ser tão provisória é levada a caminho por quem está vivo, presente no inominável paraíso, em sua terra, no magnífico incerto.

Nós aqui, nós que somos esse laço fortificado, – materialidade plural e diversa do  nó, mesmo -, que somos presentes nesse lugar algum, no hermético absurdo de humanidade humana a se humanizar, carregamos essa vida histórica, cultural e social como princípio e fim. A Educação a promover essa totalidade de torto que somos de uma única vez feitos de verdade verdadeira.

Édipo

Passeio de eterno retorno

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Esse texto sofreu grandes alterações. Talvez queira conhecer o que realmente foi adensado, o que foi modificado.

https://www.livrariacultura.com.br/p/ebooks/educacao/pedagogia/edipo-passeio-de-eterno-retorno-2012411262

E assim, de tudo que se apresenta e se apropria tem como referência a partida, o encontro, o final. O conto, a história que não pode ser transfigurada sem seguir a ordem cultural que oferece imediato entendimento. O início, o meio e o fim, e nisso há um telos. Aonde termina, permanece o final. A história segue, e obrigatoriamente se aguarda durante as paradas da leitura, o levante de significados que a custo – o esforço brutal do entendimento se aplica -, a tomar de si o senso. Isso se dá porque no em-si como arcabouço redivivo da cultura se plasma os fantasmas, arquétipos, estruturas agrupadas de uma espécie de panóptico invertido, a brecha por onde escorre alguma lava do vulcão da caverna luminosa. Tudo se vê pela frincha arcaica da existência. Aquele todo antigo parece dizer, sai fora, anda, morre.

O bicho mal pisa fora do estábulo de suas próprias-verdades resfria-se, enrijece, a acompanhar a ordem das coisas, submerso e submetido à insanidade obediente da vontade comunitária. Esta ordem mandante e exigente que o obriga. Bem longe de qualquer espontaneidade (a que vive no devenir eterno), segue a progressão numeral das hierarquias, reificado e subsumido ao sumidouro de qualquer entendimento que não seja sindicalizado, agrupado em sua função, na forma coisificada das indicações. Vai, anda. São caminhos a percorrer. A gesta aponta a conflagração das uniformidades oniscientes   de suas homogeneidades garantidas por lei.

 E, por então, volta à sua caverna, o lugar parece dizer que quer ser paradigma de libertação. A partir dela, a teologia omni-ciente, vai fora e vê o infindável. Sabe, o infinito visto, aquele que aparece ao apontar o céu. Volta seus passos à velha sombra. Entra na caverna como um fantasma, o estrangeiro, desobediente, renegado e é morto e devorado. Libertar o mal de suas correntes, abrir o castelo de Cérbero, bater um papo com Silbion, (o mesmo que beijar Thethis) e entregá-los à gramática no território-técnico dos comuns. Achar isso lindo, pedagógico, significa loucura. Aquele que se banhou ao sol imagina a si mesmo único, luz-própria da individualidade. De dentro dessa caverna pensante, tudo é possível. Por isso, acredita na simplicidade gentil de Candido. 

Sabe as medidas, que as paralelas se encontram no sem-fim, que se pode encontrar lá, atravessar os lados do em-si-mesmo e fazer a comunhão celestial da eterna geometria, o xis da questão. Mas feito em tantos pedacinhos, aqueles miúdos separados que se une na materialidade, na corporeidade. Mercadoria do acaso, do Redentor, das peripécias do inalcançável. O distante além de tudo, bem depois da última possibilidade da visão recai sobre si mesmo. Descobre tarde o herói da inteligência matemática que continua na caverna, no platô de Platão – no último andar de sua tragédia. Nesse sobrado construído a fogo e explosões de  suburbanidade  galáctica.

Lembra que desde o início, como num conto, retorna à caverna e é mastigado integralmente por sua simplicidade. O simples deseja, mais que tudo, mais que a eternidade, – pequeno e medíocre deus de si -, voltar sobre si mesmo. Viver na comunhão baixa do rodapé de suas verdades, as suas   únicas verdades  

Se a arte pudesse ser explicada como o encontro do espectador com a Esfinge[1] que faz perguntas metafóricas a serem decifradas e respondidas, entenderíamos a subjetividade por dentro e por fora. Faríamos a elipse hermenêutica, aquela exegese que ajunta sombras do fenômeno, do inexplicável. E se responde, – ainda isso -, à enigmática pergunta: qual o sentido da presença em sua ausência adivinhada. Fica saboroso dizer que a Vida é Sonho, que somos empurrados pelo éter. As cordas que abrem estradas no céu. É o Logos matemático, abstrato. E se materializa na fórmula e garante a mecânica de todos os astros de uma só vez. 

O céu é vagabound   atravessa fronteiras, viaja espelhando todos os acontecimentos. É igual à gente de início, meio e fim. Imitação do sonho, da vida. Mimeses, cópias de formulários, melhorias do existente. E se diz que é impecável, imita direito, copia, decora. Aquela racionalidade que faz do avião o retorno ao passarinho, do foguete ao   fallum  do disco-voador ao prato que voa ao céu estelar a partir da janela da vizinha. Alguém fotografa, e alguém vê couves-de-bruxelas descendo das nuvens como devem ser os marcianos.   Nunca, jamais o contrário da mais baixa   mimeses   das pequenas certezas teleológicas. Por isso a Ética possui geometria. Aliás bela e inefável forma incalculável.

Tudo isso para dizer que saímos por aí, vivemos e partimos para algum lugar, possivelmente diferente das crenças. É o conto, o romance, a história narrada, a vivida. Vivem no infinito diário da presença humana, seguindo seus passos.

Reescrevo o escrito, dilacero o que já foi para voltar a essa caverna em busca de correntes, pronto a ser estripado e levado aos dentes dos olhos que leem. É assim, o céu tem sua curvatura, e às vezes se escorrega no tobogã do tempo para recomeçar. Trato da tragédia. Você vai descobrir quem passa por isso porque passou Édipo.

A subjetividade não se constrói apenas da experiência racional de jogos de linguagem, note que a presença do Absurdo – transfigurado na Esfinge -, um ente que devora quem não consegue colher dos significados os sentidos, devolver a sua significação, resposta em palavras como garantia de vida. Uma espécie de passaporte existencial em que são validadas as competências, permissão para continuar o trajeto existencial.

Há nessa história, até o momento de encontro de Édipo com a Esfinge e sua passagem, o condicionante que difere o monstro, ou a absurdidade revelada, percebida do terror, com a memória emotiva a produzir as sensações que levam às determinações do pensamento e à resposta. Nota-se que Sófocles põe a metáfora, o enigma na boca da Esfinge como um valor significativo. A pergunta dividida em três partes, o que anda com quatro patas; o que caminha com dois pés; e o que segue com três?

 Se fosse desenvolver a relação quatro por dois e três no sentido geométrico teríamos a referência platônica das formas que constituem as idéias a partir de modelos empíricos:

  1. Quadrado;
  2. Círculo;
  3. Triângulo.

Elementos constitutivos do conhecimento geométrico, a forma abstrata bem subjetivada na vida dos habitantes da Grécia antiga como um símbolo. Portanto, presente na vida da maioria dos que assistiram à função teatral. De outra maneira poderemos considerar a relação numérica com a etimologia. O quadrado esconde a união de infinitos triângulos, a considerar que a gênese dessa estrutura compreende os três pontos da vida que, segundo Trimegistus[2]sobre a ascensão do pensamento, ‘o que está acima, está abaixo’, a meio caminho, a unidade do três, a possibilidade, o próprio existir, caminhar através do conhecimento e de sua possibilidade, de sua ética.

O círculo a convergência de dois pontos que se unem no infinito dinamizaria os paralelos de uma reta, o terceiro, que no movimento do espaço no tempo (como o movimento sinódico dos astros percebido por Tales de Mileto) formaria o círculo, ou ainda, que o movimento iniciado a partir de um ponto absoluto no tempo/espaço corresponderia ao encontro desse ponto consigo mesmo. A cobra morde sua cauda, o círculo se forma na ação do homem, o único ente que vai ao mundo e volta sobre si mesmo. A perseverança, que se vai ao perímetro, vai às voltas com severa disciplina e iça, traz para si o que o faz único, porque circula.

Essa interpretação, apenas como ilustrativo do que podemos agregar e realizar. Retorno ao pensamento platônico e à mística antiga nos diz que, conhecendo os princípios, isto é, os conceitos, se pode encontrar respostas, alcançar e ultrapassar o desconhecido. Sabendo de onde vem poderá seguir, pisar sobre o que há de vir.

Na infância, responde Édipo, o homem anda com quatro patas– ainda se forma a ser homem, em seguida com dois pés porque se reconhece como tal, e por fim, apoia-se na tecnologia, no conhecimento que veio de sua experiência existencial, usa a bengala e segue sua trajetória com esses três pontos, as condições necessárias para seguir. 

Seria possível crer, (a incerteza iluminada de caverna apropriada) que o autor trágico de Édipo acredita que o fim do homem, o seu único motivo teleológico é se embrenhar no algoritmo tecnológico como que um apêndice de sua jornada. Sófocles acredita na complementariedade, o uno suja-se na technné, artificialidade que conduz ou sustenta a organicidade, decerto de uma caverna ainda sombria onde vive   ad aeternum  esses acorrentados burocratas do saber à bela veleidade lógica do conhecimento aplicado ao simples orgânico. Por isso, – vai ver -, Pascal põe o coração na mente, o jorro da dúvida, a única verdade do que seria unicidade emoção-pensamento.

Mas Sófocles parece ainda indicar que infância, adultêz   e velhice é o destino de todo homem, independentemente de sua direção. O conjunto consagrado do três. Não há planejado   thelos , o início, o meio e o fim não acontecem. E o que se dá está nos pés inchados   aedipos   de um longo caminhar no constante seguir. Sustentado por mãos de oráculo, o indefinível antepassado, a entranha do DNA, na mutação genética ele, Édipo, aparece de cabeça para baixo, amarrados a esse início indistinto em que somos levados a aprender. Em vários contos, histórias   órphicas  e populares Édipo no alto do monte Citerão ou jogado ao profundo mar de Corinto.

Ele descobre a resposta da Esfinge. E lá vai ele, meio cambaio, um tanto desequilibrado, anda. Aprendizado a cada passo na consecução trágica de nossas sombras, vivas almas da caverna, carregamos em nós o seu espelhamento, a mimeses perfeita, a mente que da vida semente. Por mais luz que haja, enquanto mais se procure iluminar o ente-coisa humana Diógenes não terá a resposta. Voltará a ser enlatado à sua barrica cognoscente, a doxa   das plenas dúvidas, de luz e sombra. E assim se faz o Rei Édipo, penetra a sua espada no próprio pai original, casa com a gênese, com sua caverna, Jocasta. E cega-se para não mais acreditar no lado da luz, morre caminhando entre sombras tal qual ele mesmo, ignoradas. A caverna que se ilumina? Encontro consigo mesmo, enfim?

O modo de virar o bagaço para fora, expelir da casca de Rhea. Para fora caminham os entes malignos, dúbias almas que grassam perdidas a fixar, como nas lógicas, as respostas mínimas, pequenas luzes que pousam sobre ramos de incandescentes árvores, episthemés. Ramagem das verdades sobre a árvore da vida, a verdade. E não se aceita opinião, age-se tal qual Zeus. 

Mata-se o pai, a fonte de eterna criação, Cronos. Encerrado na caverna do tempo, emasculado, Zeus engana seu pai escondido atrás de uma pedra. Cronos engole a rocha, a pedra como símbolo da construção sucessiva do templo. Pedra angular, o simbólico alicerce que se estabelece sobre o tempo cronológico para o tempo humano, a casa, a caverna de pernas da vida humana.

O novo tempo somente realizado por Zeus. Copula com a mãe Rhea, Deméter. Nasce a filha Perséphone dividida na profundeza da caverna subterrânea, a viver no atelier de Hephestus e subir à superfície da terra em quatro estações. A perfeita quadratura do círculo solar, terra dividida.

Proclus diz algo como que a ordem da soberania decisiva dos deuses se realiza na continuidade do reino intelectual divinos. 

O caminho da Pedra Filosofal alquímica em que se encerra o tempo, e o liberta para a transmutação. A pedra, pai. Igneo – luz da pedra, o início da saída da caverna. Realizar o princípio, o início de todos os tempos, transformar a luz prometeica em pedra, pedra de ouro. Presença magna, materializada divindade dourada, solar, eterno conhecimento (sonho da ciência), a vida em sonho.

Prometeu feito ciência e técnica unidas, a mesma coisa conjugada. Como está na explicação de Jacob Boehme[3] que é a razão pela qual Deus tolera que o homem ensine, e é ele mesmo o diabo. Cada desejo, que surge da pedra e da luz do choque de sua ignição, faísca do entendimento provém de seu próprio fogo e se faz em si mesmo entendimento. E assim de um mistério se vai ao outro. Ser a própria caverna, atravessar a luz de si mesmo, a dignidade que possuem os caminham porque reconhecem que se nasce, vive e morre, os três pontos desse enigma triangular por onde sonda, no panótipo eterno, Deus. 

E retomando à Esfinge (Enigma-Quimera), Édipo conhece a resposta. Sabe muito bem que para viver nesse mundo deve caminhar com segurança e desenvoltura. Édipo com o trágico defeito de ter os pés feridos, furados, inchados, andava claudicante, coxo, estranho, desconjuntado. Homem livre dos pés amarrados.

Édipo tem essa inflamação existencial, adiposidade trágica. Ele foi enfiado, escondido na mini caverna, em um cofre e jogado à profundeza do mar ou exposto no alto da montanha. Acima e abaixo surge novamente. Édipo mal anda, cicatrizes profundas de seu passado. Nasceu feito Zeus-homem que matou o pai e casou com a mãe e criou o novo tempo. São histórias de Édipo contadas e recontadas que aparecem e desaparecem como mistério.

Anda mal, mal percebe para onde vai, mas é muito capaz. Nele não há medo, pavor do desconhecido, ele sabe antes mesmo de se darem os acontecimentos. Um monstro à sua frente a ameaçá-lo. Se não responder corretamente a pergunta, a Efígie o devora. Ele responde corretamente da maneira mais ordinária, a mais pedagogicamente estudada, aplica o método do conto, o início, o meio e o fim. Édipo não vê direito, sabe que aquilo ali é uma coisa de outro mundo, desceu de algum prato jogado pela janela. Então, como posso dizer, Édipo volta à caverna das pessoas simples. Vai pé-ante-pé, com todo cuidado para não ferir a sua   repetibilidade , digo, suscetibilidade, a sua mísera cópia. Naquele momento,- Édipo é um mestre -, ele ensina como tragicamente aprendeu: todos no mesmo nível.

Anda mal e vê pouco. Não reconhece que aquilo à sua frente é a simplicidade, digo, o monstro que há de devorá-lo.

Imagina, no caso de Édipo, ele construiu o próprio tempo, o tempo de retorno sobre si mesmo. Temos um Édipo-Rei e um Édipo em Colona, o primeiro não anda bem e faz todo o tipo de bobagem porque não consegue entender as coisas simples da vida: papai, mamãe, filhinho, e amor, e carinho, e isso e aquilo. Essas coisas, para quem encara o Enigma, o Incerto, são para ele insignificâncias, ele não consegue, por mais que queira, entender essas relações.

Por isso balança de um lado a outro, possui uma raiva singular, engole a paciência com o silêncio que possui Cérbero à porta dos infernos. Eczemas, dores de barriga, uma angústia, treme quando lhe dirigem a fala. Quando não escancara a falar e mostrar outras passagens por outras Quimeras no deserto desolado das quantidades uniformizadas, partidárias, viventes aglutinados em grupos, terríveis inseguros que se transformam em temerários – por mimeses se transformam em corajosos e ganham medalha de heróis. É só ler a Ilíada, vai ver o adolescente enlouquecido.

Mas voltemos ao nosso Édipo desconfiguradoda psicanálise.  O prazer pós-hedonista do sexo e desejo eterno, o que impulsa, ou repulsa os humanos a cometerem o crime da vida, sinto muito, não pertence a Sófocles e nem ao seu personagem. É diferente, através dos contos, histórias, da tragédia de Édipo vamos descobrindo o que o faz assim tão fora do comum.

Quando nasceu disseram que ele mataria a família e se apossaria das coisas, dos tesouros, das riquezas. Melhor dizendo, ele se tornaria Rei. Mais rápido que puderam, a sua família – gente sofisticada de tanta simplicidade -, o enviaram para as alturas. Uma espécie de nascença novamente. Traspassaram seus pés e o penduraram de cabeça para baixo na montanha mais alta, o lugar onde os simples não alcançam. Amarrado pelos pés, preso no mais alto penhasco do monte Citerão.

Isso obrigou que a criança, durante essa crueldade, visse o mundo de cabeça para baixo. Ele balançava ao vento, frente às tormentas, raios e trovoadas, nos dias mais quentes e os mais frios. Estava lá. A caverna psicológica de Édipo só poderia ver o mundo de ponta cabeça. Tentava entender daquele alto astronômico, o que ninguém pode ver. Aquelas coisas pequenas, almas diminutas caminhando de lado a outro. Édipo entendeu de cara que aquilo não pertencia a seu mundo. Vivia além das alturas comuns em meio à toda probabilidade de morte imediata. 

Resfriado, pele macilenta, corpo estranho, ser esticado, preso àqueles ferros ou envolto naquelas cordas que o enforcariam rapidamente. Era aquilo como o seu cordão de nascimento. Só que ao invés de estar atado ao umbigo, eram os pés. Olhos cansados, vermelhos, cara faminta, alma da noite e do dia, sustentado por alguém que cuidava dele como um ser, absurdo e inato, o desconhecido.

Há outra história. Ele foi preso numa caixa do tipo cofre e jogado às profundezas do mar. Sobre a pressão incomensurável daquelas águas frias, na mini caverna, envolto por esse líquido estranho e torrencial, foi jogado de um lado a outro. Mas alguém o salvou de lá, ele se libertou de suas correntes e nunca mais saiu à completa claridade, ele inventou para si mesmo um jeito de conhecer o seus pensamentos e superar todas as dores e solidão, a luz própria. De dentro desse cofre ele conseguia perceber o que acontecia. Se seria arrastado, se cairia em alguma fossa, resvalaria em uma pedra, se girava, e era capaz de ouvir ruídos estranhos, de seu coração de seu corpo que se alimentava dos seis lados desse cubo.

Como diz Nietsche, que estamos todos enfeixado no sete. Acima, abaixo, lado norte, sul, leste, oeste. E contamos seis lados dos horizontes possíveis do cubo, o sétimo é o próprio Sete[4].

Édipo então renasce. Do alto dos hemisférios nietzschiano à profundeza dos desertos. Por isso cego em sua caverna existencial. Édipo caminhou acompanhado de sua filha Antígona no jardim das Eumenides. Elas que vieram da cava funda dos infernos, porteiras da morte que apaziguam os vivos. A ele, o cego e torto Édipo que retornado ao em-sí, integralmente penetra o terror transformado em bondade, um certo domínio entre acima e abaixo, ganhos e perdas.

O mal não atinge os que não veem, os que caminham com dificuldade, desequilíbrio de olhos e pés. Édipo sempre soube que sua passagem era garantida, a Esfinge seria derrotada. Como São Jorge, Ogum, ele, em toda a sua pura verdade, durante toda a sua existência, exterminou os dragões da maldade.

Ele também sabia que o seu caminhar lento o faria retornar à origem uteral de sua existência. Jamais ignorante, estúpido e mau, Édipo é protegido pelo indecifrável fim de sua partida, o início sombrio. Ainda sabe, que matando o tempo fatídico dos cronometrados impérios da ordem utilitária e funcional seguirá livre.

Elimina Laio, o pai de sua deficiência de passos e olhares, casa com sua mãe, Jocasta, (epicasta) como origem, princípio, gêneses de sua vida fatídica, Édipo faz o caminho contrário, caminha à frente. Paradoxo do retorno. Sabe que nascer, crescer, envelhecer para ele significa passar em vão, passos derrotados, desperto no escuro de seus olhos.

O porteiro implacável transformado em pura bondade das Eumenides[5]é ele mesmo redivivo descendo ao profundo trágico ético-moral de seu destino. O mais doce destino, entre bem e mal está no jardim, no bosque de sua vida. Lá os dias são pacíficos sem as humanidades presas de seus sortilégios, de suas ranhuras. O simples mata, o simples acorda cedo e espera o retorno para devorar o desconhecido, o grandioso. Por mais que se esforce em explicar como pensa, como se sente, a simplicidade o estraçalha.

Édipo, a singularidade independente, sem correntes, torturas e prisões. O desejo de entender aquilo que fala, que esperneia e grita, que trai. Para Édipo não há falsidade no mundo, bandidos, assassinos, acediosos, gente de grupo, que marcha feliz para a morte. Algo muito raso para quem conheceu o mar profundo, e muito baixo para quem vive nas alturas. Não acredita em monstros, nem em muros e menos em portais, conhece a resposta do Enigma, segue, vai à sua travessia.

Humano sem potência no caminhar, sem perceber o que está dentro e o que está fora. Calma quietude do destino. Emoções, percepções, sensações, aprendizados, pensamentos em conceito, expressões de liberdade não é possível para aqueles que são conformatizados, dominados pela ordem habitual do comum, dos plenos reificados, utilitários, formas de conteúdo geométricos dispostos em uma ordem obediente e sectária, comunitária e radicalmente co-dependente. Por isso o caminho do liberto é a sua prisão, mesmo que leia na cara do outro o seu destino, um outro qualquer encerrado no ‘simples’, na caverna de passos largos e olhos abertos das mais baixas vontades no comunitarismo fascistas de mesquinhos interesses. 

Por eles será morto. Não há entendimento do seguir que é voltar, de partir que é retorno. Sofre, portanto, não por suas escolhas, mas sua condição. Entendeu, mas não pôde compreender o que é a vida dos pequenos seres que via das alturas do Citerão.

Viver consigo mesmo, estar ilhado entre o alto cume e a baixura turbulenta do mar. Auto-em-si. Mundo intocável, feito de monstros, deformidades pegajosas e uivantes. A meio caminho, no Tao segue a vida épica de todos os pés-inchados que mal vêm.

O retorno de Édipo. E parece mais ser isso o que nos diz Sófocles. Ele quer adotar os demônios, ele tenta mostrar a sua face, aceita quem quer que seja. Para ele, todos são merecedores do lugar mais alto da montanha do saber e do conhecimento mais profundo do mar de toda vida. O retorno. A cada passo que, com certa dificuldade vai ao encontro do cotidiano, mais incapaz de perceber do olhar, o mais fingido e cruel, e o mais verdadeiro e amoroso qualquer sentido. Essa é a tragédia de Édipo. Ele sofre por não entender a vida desejada e comum do viver. Como é conhecedor das xaradas celestiais e do submerso dos oceanos, e ninguém o devora. E para voltar à sua caverna, ao   em-si   ele dá seus últimos passos frágeis e sempre claudicantes de homem livre no jardim feito por demônios infernais, ao inverso, de pura bondade e amorosidade, o bosque coroado que reúne as árvores da sabedoria, cego, e liberto.


[1]Como está em Sófocles em Édipo Rei – Édipo em Colona

[2]Trimegistus

[3]Sex Punctua Mystica

[4]Seth – mitologia Egípcia (Persa também).

[5]Proust, M. (1919) À La Recherche Du Temps Perdu, Tome III

À l’ombre des jeunes filles en fleurs, Paris: Gallimard.

Lake’s near sea spout dirts

Lakes that take to the sea spout dirt

Thin and tight strings wires same flowing and fluid path

vaporous and incongruous

constance

thin strings and tight wires

cuts into small pieces

fluency

disintegrated vapors

creeps in the air

Memories same path fluent and fluid

vaporous and incongruous

Salive glues that touches skins

vaporisation of speech

foam and clouds

in the tight eyes clair

Break up of the sense

Flows the fluidity of inconsistency incongruity

chains of softness

airy feeling

altered heat and unevenness

the said and the draft

the mouth of the masses of voices

roasted in repeated

insanity

Crushed sky

phi phi hikers

poorly paid working day

fluent wishes

Craves hands at caves

Passions in flashes

grouped benefits

tied in the string of incoherence

and crochet with the incongruity

lagos pegados ao mar jorram sujeiras

fios de cordas finos e apertados mesmo caminho fluente e fluido

vaporoso e incongruente

cordas finas e apertadas fios 

cortados em pedaços miúdos

caminho fluidio fluencia de palavras de águas 

vapores desintegrados

Memórias mesmo caminho fluente e fluido

vaporoso e incongruente

vaporisidade das falas

bafio de espumas e nuvens

no ar apertado

flui a fluidez da inconstância incongruencia

correntes de suavidade

arejado sentimento

calor alterado e desnivelamento

o dito e o calado 

a boca das massas de vozes

assadas aquecidas na repetida

demência

filos fiados caminhantes

mal pagos de jornada 

fluentes desejos

paixões em lampejos

vantagens agrupadas 

amarradas no barbante da incoerência

e se faz crochê com a incongruencia