Tempo que voa

Tapete

Sabe

nada dura para sempre

e noites são canções esquecidas

chuva, frio, trovoada

o vento voa sem asas

estrelas dormem acordadas

muitas nem mais existem

são sombras de luz que persistem

Há na relva extremo descanso

E flores também no inverno

despertam

O rio cai da montanha

grita em cachoeiras

faz lagos de arrependimento

Certezas existem

montanhas se mexem

rolam pedras

e corpos definham

A beleza do mar

profundeza de superfície

ondas cansadas

na agonia 

se repetem

Aos olhos da apatia

árvores pouco suportam seus dinheiros

jogam fora e ficam no esqueleto

e quando se enterra o defunto

pensam na semente

No deserto 

areias dançam

enganam os caminhos

A sorte 

todo início termina

e de começo

cai sobre tramas

bordadas

e amanhece

perdoa

morre a alegria

mas muda 

vira o seu olhar para a sua gente

pense em nós

e vem outro dia

Tapete das certezas

Tapete

Ao fim o campo humano

devastado

Entre árvores 

a memória

larga seiva das intempéries

remoinho

Imagem de sortilégios

a escrita das sombras aglutinadas

Vejo os sólidos

isósceles ali plantado

terreno dos descampados

frágil textura do passado

não é daqui o que está lá

uma rede falta

cheia de vertigens

onde cortinas fecham

e se debatem as ruas