Andraja: o absurdo de existir

Andraja é disforme, tem nome, nomeia e pouco tem em palavra. Vocifera como o bicho que protege e ladra o umbigo de suas tronchas calamidades. É piegas, egoísta e bem sabida. É homem, masculino de crueldade, e mulher com pouca liberdade, mas é sempre humana caveira vestida. Morta consciência, em tudo desmedida é Andraja, resumo do limo, humano sanguinário, Vil de valor Andraja, desprovida.

Veste a roupa, a casca, e semeia inimigos, arranca os olhos de alegres, corta pernas, tira pulso, puxa com força as cordas, veias e artérias, esfola o coração.
Passo a passo, na máquina do uso e utilidade, no ganho e vantagem a sentar no colo, ser filme conhecido, imagem adulterada, voz de grito estilhaçado, riso de gozo pueril, fotografia de Andraja, a sua identidade. Coisa, função, utilitária é Andraja. Mulher e homem, homem de humanidade perdida. Andraja, veste a casca da ferida.


Eu ouço e quem mais a conhece sabe que tudo foi partido, tudo foi administrado. Temor ao transcendental e em tudo faz mal.
Andraja é homem. Também grunhe. Grunhe como objetos em atrito, como porta a ranger, quando rezam um conceito. E fala o despeito. Também é mulher. Transideral qualidade. Andraja é tudo. A coisa que fala, a que rosna.
É mais analfabeta que leitora, e é melhor por isso. Pior é quando letrada e explicadora, essa pessoa, essa humanidade Andraja.
Síntese de tudo que se apresenta, Andraja. Salamandra de palavras conhecidas, significados que à força do fogo faz algum sentido, Andraja.

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