Jogos de poder

Atividade para o desenvolvimento de lideranças proativas.

Jogos de Poder tem como ponto de concordância epistemológica os estudos históricos dialéticos e se apresentam na forma da teatralidade (MORENO, 1992), (BRECHT, 1987) e da expressão corporal. A oficina concorre à pesquisa em psicologia grupal, ao trabalho em educação, arte e criatividade, relaciona-se à capacidade crítica em políticas públicas que são dinamizadas e propositadas no espaço grupal. Outros estudos subsidiam o processo dinamizador como em (ARENDT, 1999) e (FOUCAULT, 2000), (HOBBES, 2002), (MAQUIAVEL, 1988) que possibilitam entender como o poder se manifesta no grupo, a sua dinamização e estruturação categorial, das ações de socialização que investem na configuração de posição e defesa, reação e determinação frente a obstáculos previamente elaborados e daqueles que ressurgem frente a ação dinâmica no grupo. O desenvolvimento perceptivo dos caminhos grupais que possibilitam o entendimento do poder em sua pratica promovendo o distanciamento e a conjugação de forças para o encontro de caminhos integradores e desintegradores. O objetivo principal é a participação das relações de poder e a consumação de posições objetivas e subjetivas que promovem uma avaliação pessoal/grupal da realidade. Os jogos que subsidiam a oficina oferecem caminhos para o entendimento do poder e o enfrentamento das contradições no processo dinamizador: O sujeito controlado e subdividido em pertenças que se encaminha a uma estrutura social delimitadora das ações, o sentido individual de liberdade e o comum; o lobo homem é lobo ou homem; a totalidade frente à centralidade, na diversificação e organização em rede; objetivos reais possuem mais definição na ordem de representatividade ou não. A dubiedade acompanha a dinâmica, porém o processo instiga ao entendimento a partir do real. Um debate das ações grupais poderá se concretizar como esclarecedor das condições de poder e suas determinações na vida dos sujeitos. 

Palavras-chave: Poder, teatralidade, expressão corporal, dinamização.

METODOLOGIA

A dinâmica é realizada em quatro partes, a primeira se relaciona à descoberta do outro enquanto átomo social, as potencialidades identificadoras como as pertenças, vínculos concomitantes ao processo integrador. As aproximações por modelos prévios de comportamento, identificações são alimentadas no sentido de se realizar coalizões em diferentes níveis.

Cada grupo participante constrói um nome e uma razão de ser do grupo frente a objetivos propositados.

No processo dinamizador, os grupos divididos por afinidades, por interesses, são levados de acordo com a prospecção do jogo a buscarem em grupo a liderança em atividades eletivas. Todos, portanto, são focados e direcionados à busca de conquistar posições internas.

A segunda parte é oferecer a cada grupo ações que sejam de interesse de cada grupo. Isso confirmará a coalizão grupal e a construção de estratégias de enfrentamento do poder. 

Assim que os grupos estejam afinados para a conquista de seus objetivos a coordenação da oficina promove uma quebra irreparável da estrutura vinculante em várias camadas. 

– Jogos artísticos 

– Jogos competitivos

– Jogos relacionais de acerto e erro

Em período de tempo curto, essas quebras aleatórias promovem reestruturações grupais destituindo as condições de hegemonia de um ou mais grupo sobre os demais e os comportamentos cristalizados.

Nesse momento ensaia-se outro jogo de ações de poder relacionadas à individualidade e tomada de posição. Esse jogo, especificamente corporal, determinará os novos componentes de cada grupo. Os nomes e razões de cada grupo continuam os mesmos mudando completamente os participantes.

Por exemplo: um jogo de percepção ativa sobre um objeto abstrato. Julgamento da performance. O jogador é deslocado de grupo indo bem ou não. A função do jogo é a mudança.

Jogo de apresentação do sujeito enquanto objeto, o sujeito é apresentado a demais grupos como fonte de interesses havendo nisso uma troca a posteriori da dinâmica.

Terceira parte, a nova organização. É nesse momento que o grupo reforça o sentido e significado da representação do grupo a partir do nome e sua razão de ser. O deslocamento dos elementos grupais em direção a nova coalizão grupal com o mesmo nome. 

Jogos relacionados ao desenvolvimento de esquemas que busquem cooptar dos grupos os seus antigos parceiros.

A quantidade de parceiros conquistados demonstrará o sentido de identidade de cada grupo em relação ao nome e razões de ser. 

A quarta parte promoverá um encontro dos grupos e seu desaparecimento para a construção de um único grupo. Nesse momento o jogo de poder se estabelece em relação a um objeto de domínio. Esse objeto entregue ao grande grupo de todos deverá percorrer tanto razões de ser e será nomeado, nomeando o grande grupo.

O movimento de ação do grande grupo estará relacionado ao tempo rítmico na pulsação musical estabelecendo uma coreografia compreendida entre sentidos e signficados do sentido de poder que perpassa o grupo, o individual e o coletivo. Por fim o objeto é retirado do ambiente e solicita-se a cada participante que ofereça um resumo em forma, objeto, sentido e significado, razão de ser e nome do objeto ausente.

A conversão do simbólico ao real e do real ao simbólico enquanto instância ideológica, a estruturação e desestruturação de formas de poder para a compreensão dessas relações com o real. 

A coordenação oferece ao final um momento para o debate e relaxamento assistido.

Deixe uma resposta