Distância

E me deu a mão assim mesmo

Caminhamos sobre o tombo,- o previsível.

Caí.

Tive tanta esperança!

Procurei um grito.

Garganta engolida em outra língua.

Pedi.

Alguém, pudesse ser um desconhecido.

Fosse o mesmo desafortunado viandante.

Que ele pudesse rir, apontar ou demonstrar ao menos a falha.

Carregar comigo do chão o buraco em que se vai.

E cuspisse ou xingasse.

Visse em minha desgraça um pouco de sua terna alegria.

E nada.

Ela me ajudou, agradeci.

Ela me ajudou sem espanto.

Um ato.

A fonte imediata de humanidade.

Se passasse ali o que em mim tão vivo resplandece

Visse o estatelado.

Ousasse ao menos um escárnio.

Nada além das figuras de linguagem apropriada

Sentidos prontos para o momento

Atentos e compassivos

Quase esticados

Chamariam ajuda, atentariam ao osso quebrado.

Então, despertei.

Mal comigo mesmo.

Entristecido.

Com dor por dentro.

Dor de alma levada.

E fui a me levantar desatento das cobertas frias.

Um homem sem eco é aquele que está longe de casa.

pmnt

2 respostas para “Distância”

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