A pedra como pai

É possível relacionar pai e pedra. Mas é necessário a conversa. Não tem jeito. Vamos ao banco do jardim nos fundos de casa. Visitaremos o lugar para que deixe de ser simples espaço da ordem geométrica, de território conflagrado por disparidades geográficas que a lei defende, ao que somente a legalidade se impõe, faremos algo. Transformaremos o que é definido no ambiente, veremos onde vive o reino da possibilidade. O sujeito que se ergue nas relações, que ousa contradizer o óbvio, e busca unir o separado, difuso significado que há de ser transformador, a tornar-se sentido. É um convite.
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Mar, montanha, casa


Possivelmente viemos das águas e nos debatemos até o centro das montanhas.

O oceano foi aberto, e a estrada nos levou à terra. A quentura do mar obrigou que déssemos fora antes de sopa, caldo.

Ainda temos marcas daquele tempo longínquo. Na orelha o desenho antigo de guelras, pescoço com junções cartilaginosas, a pele entre os dedos se estica, as mãos ainda possuem resquícios de  nadadeiras, a forma que temos, muito ainda nos remete à distância de planeta das águas.

E das profundezas ou do raso a subir sempre mais alto até o ápice da montanha, vai ver que fomos nós, o grupo junto que é o mesmo que viver em separado em quantidade.

E das montanhas para serras, campos,  planícies à beira de rios.

A humanidade moveu a montanha. Ninguém vive sem reminiscência, sem memória, poucos podem usufruir da qualidade do sentimento que faz o pensamento em conceitos. O primitivo da caverna com teto e calor do fogo sagrado produziu a necessidade de manter o lare

A descoberta do fogo é mais antiga do que se possa imaginar. Veio do céu, do vulcão. Vivemos junto ao fogo porque descobrimos que podíamos dominá-lo e garantir  a digestão necessária.

A fonte da identidade  construída na casa. 

E surgiu a pessoa. 

Carregou a montanha enfumaçada e fez a casa. Lá está o vulcão memorial na sua chaminé. 

A mesma devoção ao divino eterno e interno de sua existência. ele referenciou o fogão. 

O primeiro laboratório onde provou o mundo de fora transmudado do lar, o mundo real e espiritual ao mesmo tempo.

É como se deu,  a montanha explodiu. Acabou com sua caverna derramando a lava do passado,  o fogo da vida. 

E todos fugiram do fulgor quente. O bando se dividiu em muitos pedaços. E cada um atiçou a fogueira de fé. E se fizeram imitadores desse sagrado lugar. 

Imagem do passado, imitação do espaço, da forma, semelhança, síntesis, os pequenos deuses estilizaram a antiga morada. 

Com a explosão do grande fogo da montanha, deus ocupou todos os lugares.

É necessário saber comer, saber viver.

Casa com cara de montanha, com jeito de vulcão, com entrada de caverna, com lugares para proteção, quarto grande, canto da fogueira, espaço da lareira, luz aquecida de sua memória e sentimento, inteligência acrescida de sentidos. Ritual do viver, os deuses da montanha percorrem os recantos do lar. 

A luz que corre o céu, aparece na peneira noturna, faíscas penduradas do eterno. Com o fogo da fé sacrificava a escuridão. Luminosidade, presença sagrada, corpo divino, movimento do céu na terra, dentro da casa. O alimento quente, banhado ao corpo divino. O próprio deus presente que nutria a esperança, o amanhã creditado ao brilho divino. 

Alimentados do próprio deus luminiscente, purificados nos tornamos filhos de deus. Filhos jovens de uma civilização ainda recente, pequenos deuses em formação.

A grande casa  do templo é a imitação sintética da montanha que prolifera deuses e mistérios. Assim como o grande falo prolifera a semelhança pelo semem sagrado de sua semente viva, criadora. O poder divino é a construção divina do homem no lare, no lar, na lareira, na labareda, no labor. No calor que é o fogo divino que vive no homem, o filho da montanha. O templo eleva sua haste e e em seu bojo vive a semelhança. Ao fogo fala-se, somos seres falantes, procriadores, semeadores da experiência, plantamos em nós o conhecimento, portanto fala-se.

A humanidade luta pela semente, pela semelhança em um dia ser ejetado deste mundo ao mundo pleno de deus e tornar-se deus, tornar-se divino. A grande estrada da palavra representada pela fé. 

O mundo de fora era o mundo dos deuses. Para cada substância foi feito um ritual. 

E para cada ritual uma linguagem, um caminho demarcado. 

Os deuses viviam em torno do homem oferecendo a quem compreendesse os mistérios, o significado que mais aproximava de suas necessidades. Mas quem compreende o inominável? O extrativista caminhou pela vegetação levando consigo os seus. A tribo cresceu na medida das necessidades de reivindicar para o futuro o bem imediato da vida. Entendeu os deuses das estações e o oferecimento, e os rituais da vida foram acrescentados. Quanto mais unidos na igualdade da linguagem, maior a garantia de sobrevivência. 

Demarcar os caminhos onde se encontrava no tempo certo o alimento oferecido dos deuses. A conquista do espaço. 

Os caminhos abertos facilitaram alcançar objetivos difíceis, e logo o trânsito em busca da proteção aumentou. Uma proteção divina que era o alimento e a certeza de sobreviver. 

A árvore dava a fruta, poupa e semente. 

A fruta em seu ramo de negócio: coma a poupa e plante a semente. 

Ir para o mundo de fora, juntar o desconhecido, transmudá-lo no fogo interno do lar e o interno do corpo.

O corpo disse: isso é bom, isso é ruim, isso é necessário, isso causa dor, isso é melhor assim. O corpo é o professor da humanidade. A necessidade de entender o entorno e o além do horizonte, o universo fez com que ampliássemos a ferramenta das idéias. 

O nosso cérebro cresceu e abundou nele as imagens dos desejos, as vontades foram projetadas e possibilitou-se a execução tecnológica.

As estratégias foram melhoradas. A técnica desenvolveu.

E tanto os deuses ofereceram, e tanto descobriu o significado na linguagem, que procurou negociar o seu conhecimento divino com outras tribos e confederações de tribus. O ruído dissoluto tornou palavra. O homem aprendeu a ser deus e oferecer seu significado ao desconhecido. 

Aprendeu a hospedar o estrangeiro, experimentar com ele os mistérios. 

Para comer isso, é bom ter isso e aquilo. A universidade foi criada na cozinha.

Como poderia manter aquele conhecimento e mais, usá-lo? O estrangeiro vai embora!

O filho do estrangeiro tinha a sua marca.

O alimento também era prazer, e o sexo proliferava a vida, e o alimento garantia a humanidade. Quanto melhor a estrada que nos liga, mais podemos nos misturar, mistificar e trocar conhecimentos e construir alimentos e reivindicar a vida da vida.

Na fome, o único remédio é o prazer sexual que prolifera famintos que conseguem sobreviver com pouco. Os iguais da fome, vivem da fome através do prazer. A sexualidade na fome especializa o homem a sobreviver na fome. A conquista é limitada e os caminhos curtos.

Mais longe vai quanto mais abundante for sua cultura. Caso contrário vive do retorno sobre si mesmo. A sociedade torna-se unívoca.

As diferenças criam semelhanças. No filho vive o estrangeiro. A humanidade é feita de muitos filhos sem pai. O atavismo do estranho o submete. A forma, o gesto indica sua descendência e sua capacidade de resistir e viver melhor.

O estrangeiro no homem é o homem melhorado. Construir a guerra para descobrir a paz. Porque antes da guerra só existe a tensão. Com aqueles que desconhecem e dos quais não se faz nenhum tratado simbólico, está em guerra.

A conquista da técnica pela força foi o subsídio aprendido pela natureza. Conquista sempre, conquista do espaço, da vida. Sem a guerra não entenderíamos a paz, senão a tensão. 

A diplomacia é tecnologia desenvolvida na arte de negociar. Coma a poupa: eu lhe dou a semente. Conheça que terá a tecnologia.

Mas há um limite nas negociações quando a linguagem escapa do controle, por isso a lei escrita, desenhada na sua forma mais significativa. Mesmo assim é necessário quem a interprete.

A palavra é o caminho que une o conhecido com o significado daquilo que se quer conhecer. Através da palavra somos capazes de criar conhecimento. 

A estrada que negocia o entendimento, a linguagem. 

Antes da palavra o gesto, o gesto imitado, o desenho imitativo, a forma. A palavra é a forma sintética de nossas reminiscências. O único caminho por onde se deve ir.

O trânsito em torno do fogo aumentou. Os caminhos foram especializados, sem o trânsito não há cultura que sustente sua existência. 

O ir e vir possibilita a troca de conhecimentos, especialização, alimento e prazer.

Com a linguagem não foi necessário ir muito longe para se alimentar e ter prazer. 

Mundo sem direita e esquerda

A questão não é saber quem é melhor.  Não é o jogo  Deus contra o Diabo. O homem e sua sombra. O sol do este para o oeste. Não se trata de um norte.
Trata-se da mundialização do “óbvio” como valor.
Coisa de direita macro-direita. Uma direita que se apresenta tal como ela é em sua evidência, em seu tamanho para ser a salvadora da direita que representa.A esquerda à direita faz a direita.O fim da clivagem esquerda e direita.Fim dos partidos políticos?

Voto se estabelece entre assuntos mundiais e locais.O que pesa na balança?Ideologias recobertas de interesses econômicos, e economias que se interessam por perdas de ideologias. Menos falação mais na mão.A quem interessar possa?Escolhas que se transformam em opções[1].
As ideologias partidárias recobertas de rufiões e infiltrados, misto de direita/esquerda. Um Estado centralizado?Centro, e ao modo de ser nem direita e nem esquerda.


O que significa? A separar o joio do trigo. Culto a um Estado centralizado, do tipo intervencionista. Intervém na sociedade e economia, o que quer dizer, põe a economia como capataz do mundo social. Promove a sua visão de arte e cultura, um estado estético e estetizante, direcionado a políticas que este centro atua com intransigência. Uma das facetas é a visão de uma religião/Estado onde a manifestação é estatal com atos religiosos nos espaços públicos – ou tomado do que seja público -, asseverado a uma associação de coalizaão – de escondida organização fascista -, portanto impositiva e desconstrutiva de uma ordem social e seus valores, descaracterizar o herói, a desconstruir lideranças, quaisquer que sejam, por interesses de justiça de Estado.

Governo de centro equivale a ser uma direita fixa?Para manter fixo o governo centralizado, e de direita torna-se necessário eliminar o sindicalismo partidário para um sindicalismo associacionista, que preserva os ideais de seguridade, de lutas para o bem do trabalhador e, no entanto, defende o seu grupo para o melhor da sociedade com autonomia de organização. É um entorso, uma girada sobre si mesmo, em que se apropia pensar de modo global a situação do homem, de um certo humanismo, e, de outro, umbilical, de defesa de suas características.

O que está acontecendo ou acontece?O aparelho de Estado, em defesa da hegemonia econômica de organizações internacionais, de grupos laterais, de minoridades[2], de capital de interesse flutuante[3], faz uma bricolage dos interesses, avaliados e devolve às estruturas o que elas querem.Pasteurização da cultura, da arte, da singularidade de cada um ao uniforme de um Estado Centralizado, anti-partidário, como um único partido de Centro, uma espécie de black hall que atrai tudo e todos.

Como se sabe, um buraco negro dessa magnitude com tal pressão tende a explodir, pulverizar, atomizar, dispersar e eliminar a quem, em suas entranhas de país lhe seja contrário.Que estrutura é essa?Feita em feixes e amontoadas, umas sobre as outras posto ser mais fácil carregar e descarregar onde quer que seja. Igualdade de grupos, uniformização e homogeneização em equipe. É uma estrutura que elimina líderes e impõe estruturas, grupos. Um governo sem face. Todos vigiados de forma grupal, em conjunto para se constituir em um arranjo em que o que desponta é cortado, natural, para manter a forma arranjada.

Antigamente chamava-se isso de fascismo em que qualquer opinião é filtrada por fragmentação de representações como assembléias designativas que elegem um para eleger outro e que no conjunto elegem terceiros para serem por fim participantes de uma grande assembléia que determina uma política, o soviet da demanda econômica, com o diferencial da falta.Quanto maior falta maior legitimação? Legitima-se a falta para garantir a demanda, chama-se publicização da regra. Uma espécie de vantagem garantida no grupo, cada elemento em sua luro-singularidade é conhecido como homoportunismus[4] Meritocracia programada a grupos? Os que estão organizados têm prioridade, eles possuem certa distinção em sua uniformidade.
Trata-se de uma conjugação: de um lado a separação entre os que são chamados de “nacionais” (uma burocracia surge) e o perigo estrangeiro (uma nova colonização acontece). Muro de separação, armamento e a declaração do Sr. Macron que diz: “a segurança (armada, policial, investigativa, de controle, etc.) é a primeira de nossas liberdades”. Há então “outras liberdades” que são conhecidas por essa conjugação: os livres – de direito de ser livre (cidadão, nacional, etc.). Há uma introdução de “tipos” de liberdade e não a liberdade. Ser livre no mundo ameaçado faz o sujeito ameaçado nas determinações conjugadas do “livre”.

O caminho sem volta da nova direita, uma direita reformada ao interesse de internacionalizar regras, formas, modos, de defender negócios e não pessoas?Um mundo a descoberto em que o governo abre a sua geladeira e toma a sua cerveja e lhe multa caso não esteja ao seu gosto. Quanto ao teu gosto, bem, isso é uma questão de interesse legal e não pessoal.

[1]Polemizando, escolher significa ser um agricultor de pensamentos, plantar e depois colher. E opções se definem a opor-se a ações da qual se faria parte e que, ao negar participar, aponta isso ou aquilo.

[2] Grupos grandes que são chamados minorias sociais. 

[3] Associações, grupos governamentais público/privados, ONGs, entre outros.

[4] Um entre tantos que recebe o bilhete da vantagem, na garantia de alcançar o seu interesse. Participa do grupo que dou emprego, entra no jogo que sai ganhando, obedece que será premiado.

ORCID

orcid.org/0000-0003-3035-6887

A casa que o lar abriga

A casa tem todo o lugar desde o caminho que a encontra, e aquele ainda que a deixa, – por onde for que se a leva.

Parece de um canto uma árvore forte de raízes verdadeiras cachoeiras, tão cheia de ramos, de galhos, folhas que esconde a nuvem que carrega aquela lua. 

O sinal de fumaça é lançado da montanha. 

Montamos em nossos cavalos. Lutamos contra os inimigos porque é meio dia, panela no fogo, barriga vazia.

Havia um balanço no jacarandá, o chão roxo no mundo que floriu.

O limoeiro azedou meus sonhos de quintal, queria um jirau, uma casa na árvore.

A lanterna de carbureto dançava no lago, o bagual ouriçava. Alguém chamava quando se caçava rã: vem jantar.

O jardim onde se deita é tão bom quanto pode ser a cama com aquelas molas. Não passam de trampolins para o teto.

No fogão iscas. No corredor se passeia de escovão de ferro.

No telhado tem um ninho de corruíra que não se acredita.

Embaixo da mesa da copa tem um ás de ouros. 

Debaixo do tapete da varanda um recado: levei as chaves.

Entre o braço e o assento do sofá tem um gibi.

Na janela do sótão o seu nome. Não conte, está no vidro.

Na tramela do portão, bem no encaixe e na parte debaixo uma figurinha premiada.

Há um caminho que vai para o rio, passa rente a horta, do lado da gabiroveira tem uma pedra e debaixo aquela carta que me deixou na escola, um dia antes que seus pais mudassem.

Frente a casa o jardim para os que passam. Um olhar distante dos que permanece. A memória dos que movem as ruas na sombra de seus traços a erguer sobre si os lambrequins da última geada, o céu na vidraça, os desenhos molhados, fincam as pedras do tempo a devorar os dedos de impossível esquecimento,  profundos a seguir caminhos.

A gente não esquece aquele dia, e daquela hora que a chuva marcou o céu na janela. Alguém chama e se vai atender, e gira os tacos, e no bater dos passos vai-se à cozinha, senta e lê aquela despedida naquela presença em tantas palavras de dor e de alegrias. Com as mãos dadas atrás da casa, o sapo quieto, o limoeiro perfumado.

Alguém à janela acena e se vai à escola a descer a ladeira do esquecimento. Um instante a mais, um raio e o ronco do carro de boi. Só um momento se pede antes que a corruíra saia do telhado, antes mesmo que se pergunte o que há debaixo daquela pedra, que, sabe-se bem, a carta antiga onde descreve de forma tão animada a sua tristeza, de que vai, que muda de cidade e carrega consigo os nossos dias inteiros de correria e saltos na cama de molas para alcançar o céu de estrela feito lâmpada, que mais não se pode beijar, e que deseja rever, mas leva embora, como o sol que se põe. 

A “pôr-se”, a deixar-se. Então, no salto peregrino que vai de horizonte inesquecível, imprescindível como a isca no fogão, a lanterna de carbureto, e, mais que nada mais.

A gente com a gente na casa da gente, gente se sente mesmo ausente. 

O sapo atrás da casa foi salvo do carro de boi.

O esconderijo é no porão, ninguém sabe que sei que todos sabem que faço desenho da sua cara, da lembrança, do que invento que seja, e do modo que imagino que poderia ser quando vê em mim a ler essas palavras. 

Jogos de poder

Atividade para o desenvolvimento de lideranças proativas.

Jogos de Poder tem como ponto de concordância epistemológica os estudos históricos dialéticos e se apresentam na forma da teatralidade (MORENO, 1992), (BRECHT, 1987) e da expressão corporal. A oficina concorre à pesquisa em psicologia grupal, ao trabalho em educação, arte e criatividade, relaciona-se à capacidade crítica em políticas públicas que são dinamizadas e propositadas no espaço grupal. Outros estudos subsidiam o processo dinamizador como em (ARENDT, 1999) e (FOUCAULT, 2000), (HOBBES, 2002), (MAQUIAVEL, 1988) que possibilitam entender como o poder se manifesta no grupo, a sua dinamização e estruturação categorial, das ações de socialização que investem na configuração de posição e defesa, reação e determinação frente a obstáculos previamente elaborados e daqueles que ressurgem frente a ação dinâmica no grupo. O desenvolvimento perceptivo dos caminhos grupais que possibilitam o entendimento do poder em sua pratica promovendo o distanciamento e a conjugação de forças para o encontro de caminhos integradores e desintegradores. O objetivo principal é a participação das relações de poder e a consumação de posições objetivas e subjetivas que promovem uma avaliação pessoal/grupal da realidade. Os jogos que subsidiam a oficina oferecem caminhos para o entendimento do poder e o enfrentamento das contradições no processo dinamizador: O sujeito controlado e subdividido em pertenças que se encaminha a uma estrutura social delimitadora das ações, o sentido individual de liberdade e o comum; o lobo homem é lobo ou homem; a totalidade frente à centralidade, na diversificação e organização em rede; objetivos reais possuem mais definição na ordem de representatividade ou não. A dubiedade acompanha a dinâmica, porém o processo instiga ao entendimento a partir do real. Um debate das ações grupais poderá se concretizar como esclarecedor das condições de poder e suas determinações na vida dos sujeitos. 

Palavras-chave: Poder, teatralidade, expressão corporal, dinamização.

METODOLOGIA

A dinâmica é realizada em quatro partes, a primeira se relaciona à descoberta do outro enquanto átomo social, as potencialidades identificadoras como as pertenças, vínculos concomitantes ao processo integrador. As aproximações por modelos prévios de comportamento, identificações são alimentadas no sentido de se realizar coalizões em diferentes níveis.

Cada grupo participante constrói um nome e uma razão de ser do grupo frente a objetivos propositados.

No processo dinamizador, os grupos divididos por afinidades, por interesses, são levados de acordo com a prospecção do jogo a buscarem em grupo a liderança em atividades eletivas. Todos, portanto, são focados e direcionados à busca de conquistar posições internas.

A segunda parte é oferecer a cada grupo ações que sejam de interesse de cada grupo. Isso confirmará a coalizão grupal e a construção de estratégias de enfrentamento do poder. 

Assim que os grupos estejam afinados para a conquista de seus objetivos a coordenação da oficina promove uma quebra irreparável da estrutura vinculante em várias camadas. 

– Jogos artísticos 

– Jogos competitivos

– Jogos relacionais de acerto e erro

Em período de tempo curto, essas quebras aleatórias promovem reestruturações grupais destituindo as condições de hegemonia de um ou mais grupo sobre os demais e os comportamentos cristalizados.

Nesse momento ensaia-se outro jogo de ações de poder relacionadas à individualidade e tomada de posição. Esse jogo, especificamente corporal, determinará os novos componentes de cada grupo. Os nomes e razões de cada grupo continuam os mesmos mudando completamente os participantes.

Por exemplo: um jogo de percepção ativa sobre um objeto abstrato. Julgamento da performance. O jogador é deslocado de grupo indo bem ou não. A função do jogo é a mudança.

Jogo de apresentação do sujeito enquanto objeto, o sujeito é apresentado a demais grupos como fonte de interesses havendo nisso uma troca a posteriori da dinâmica.

Terceira parte, a nova organização. É nesse momento que o grupo reforça o sentido e significado da representação do grupo a partir do nome e sua razão de ser. O deslocamento dos elementos grupais em direção a nova coalizão grupal com o mesmo nome. 

Jogos relacionados ao desenvolvimento de esquemas que busquem cooptar dos grupos os seus antigos parceiros.

A quantidade de parceiros conquistados demonstrará o sentido de identidade de cada grupo em relação ao nome e razões de ser. 

A quarta parte promoverá um encontro dos grupos e seu desaparecimento para a construção de um único grupo. Nesse momento o jogo de poder se estabelece em relação a um objeto de domínio. Esse objeto entregue ao grande grupo de todos deverá percorrer tanto razões de ser e será nomeado, nomeando o grande grupo.

O movimento de ação do grande grupo estará relacionado ao tempo rítmico na pulsação musical estabelecendo uma coreografia compreendida entre sentidos e signficados do sentido de poder que perpassa o grupo, o individual e o coletivo. Por fim o objeto é retirado do ambiente e solicita-se a cada participante que ofereça um resumo em forma, objeto, sentido e significado, razão de ser e nome do objeto ausente.

A conversão do simbólico ao real e do real ao simbólico enquanto instância ideológica, a estruturação e desestruturação de formas de poder para a compreensão dessas relações com o real. 

A coordenação oferece ao final um momento para o debate e relaxamento assistido.

Akrasia

Persona

Pessoa, Mask, Máscara, Akrasia, Spiritu, Forma, Jogo, Trapp, Brinquedo

A pessoa que somos aparece nos traços de nosso caráter, iluminados. 

Uma pessoa émais que uma máscara. E éa cara que apresentamos, o que mais se mostra. 

Acreditamos que somos de um jeito. Mas são as outras personas que dizem o que aparentamos.

A gente se fantasia da gente mesmo, e muitas vezes não somos descobertos. Por mais que tentemos nos inventar melhor, o mundo nos revela a outra face.

Um rosto  também oculta o que pensamos ser.

E nem tudo évisto. Algo fica de fora. 

Aprende-se com o outro a nos tornarmos a personalidade da feição viva.

Quem nos vêreconhece.

Brincamos com a máscara. Damos a ela mais vivacidade ou menos. Fazemos caretas para dar sentido a uma coisa e a outra. Se gostamos ou não. Quando nos fazemos de indiferentes e quando dizemos verdades.

Então mentimos sobre a nossa beleza e bondade ou o contrário. Faz de conta que éassim que sou em família, entre amigos, com a vida social.

Muitas vezes a máscara cai e nos pegamos vexados, envergonhados, tímidos e arrependidos. Outras vezes que entramos em um lugar inventamos a compleição de santidade, de angelical sentimento. Muito disso acontece em cada espaço.

A expressão da cara, a máscara, a pessoa, a persona se repete e se faz diferente. Na escola, no templo, no grupo de amigos, no trabalho, junto aos mais próximos, e com completos desconhecidos nos fazemos outro, alguém aceitável para cada ocasião, para cada momento.

O que somos transcende o tempo, a forma, os territórios por onde me estabeleço com a pessoa múltipla que sou.

Somos a beleza refletida no espelho, carranca, e monstro, estranhos por sermos o tempo todo feitos das relações e interações tão contraditórias. Bruxos, magos, feiticeiros, santificados super-heróis, grandiosos e salvadores, terríveis e bons, corajosos e temerários. 

A normalidade cansa, deseja-se ir além. Portanto brincar de ser quem somos para descobrir que somos a promessa de ser, uma vontade ulterior que não nos pertence e, com certeza, imaginamos seriamente, está com aquele que nos vê, percebe, sente, e poucas vezes se nos compreende. 

O que são partes da história está personificado em sua totalidade humana. Reflexo do que conhecemos, adivinhamos, símbolos de um passado no presente, sinais que recuperamos em nossa constante transformação.

El Jardín de los Excluídos

El Jardín de los Excluídos

En el jardín, donde florece el Colmo sin invierno, Santa Bárbara es una arbole llena de horas calientes como son los rayos. E allá esta la magnifica Ulmo, un grandioso árbol que se desmantela y se nasce, quiebra y insiste en volver a la vida. Son sus brotes verdeados de dulce claro.

Tumban abajo, caen llenos de esfuerzo en mantenerse arriba. Cuando el viento la solapa con un tapa fervoroso en la faz, no se retrae. En un balanzón sincero se mantiene. No es como la ola cínica. Un árbol no lo es así. Pero esta allá en su magnífica presencia a equilibrar con raíces anchas, gigantes de moluscos en su eterna senescencia.

Abajo están en su sombra los mayores con cigarrillos perfumados. Están las señoras con una sonrisa permitida. Adelante los chicos y chicas bailan a su alrededor con maderas en la mano, empuñan sus bicicletas y salgan volando en el verde gramado. Otro bien chiquito salta arriba, como se fuera alto en lo brazos de un amable abuelo. Alto, alto ere lo dicen. 

Ninguno lo puede oír. Es alto hasta el hombre de bracos largos a extender el cuello que anida su mas precioso realizado sueno. 

Que sueno de ser en la plaza, en los recintos calmos de todas las republicas y de todos nosotros que pasamos. 

Extranjero en cualquiera, miro en que percibo. En que no me puedo contener en el sortilegio de comprender la muerte frente a novedad fantástica de la vida que se quiebra y renace. De un lado siguen las familias con sus niños que  ahora, en la plaza, en el largo, en el jardín de niños. De otro el café agradable incrustado en la casa de los muertos. A los niños que se fueran, donde jamás, sin dolor, alguno día sus padres, abuelos, hijos, amigos, esposas, madres como que seres de otros mundos pasarían sin comprehender en nada, el motivo porque los niños mueren, ni mismo es posible entender porque ahora, allí están y brincan.

En el entorno están. Y el calvario magnifico lleno de una memoria cruel, no sostiene sentido para los que pasan. Un día quizá puedan decir que el rey esta nudo. 

Los niños siguen en sus caballitos libres, armados de sueño. En un fin previsible que vira de culpa, de dolor, de miedo, de horror en espacio de los libres. No lo sé, sincero, case sea, casi lo dijo que es así mismo. No se hace costumbre de un buen recorrido en las tumbas con chistes y alegrías infantiles, ningún abuelo salta y apunta para que salte y lo se pueda acontecer de saltar. Los muertos, con la misma clemencia amorosa que los abrazas vivos no tiene en igual sentido alegría alguna de encantar. Incluso encantaría los muertos.

Imagino poder me salir de todo eso, que estoy en un parque donde es normal los vivos pasearen con los muertos. So puedo pensar cuanto es terrible la marca que al herir los gallos se quiebren, vengan abajo los frutos, pero sigue a rebrotes constantes. 

-Un café.

-Cortado no.

-No. Puro.

-Solo, entonces.

-Ancho. Largo, lleno y completo.

-Doble.

Es como pensaba, caliente, bruto, perfumado con la sangre de la rubiácea, en luto, en el esquife del pires, y solo.  

Santa Bárbara no se permanece, ni sus significados y sentidos que al aire latino hecha de estupidez sardónica. No vive, mismo en Brasil ella se derroca de las cumbres perdida.

 Bebo la contradicción insuperable de extranjero en mi país.

Prego

Há muito significado no prego. Talvez estejam lá à venda, ou que saiu do estoque. Algum antigo mercador no pregão diário está por aí a ajuntar os pregos da vida e a revendê-los. Prego quer dizer um bife parecido com a sola de sapatos, que usa pregos, pequenas tachas, duro e difícil de consumir. Quando estiver exausto, cansado, quando enfim, no prego, poderá entender. Prego de empregar isso e aquilo para o trabalho, fazer pregas na costura, de pregar mesmo, e apregoar, de pregar naquele sentido transcendental, no pendurar tem prego e outros empregos podemos dar àquilo que é estar cansado. O prego sustenta em um querer fazer sem fazê-lo de preguiça.

Sustenta porque comendo aquilo tudo é possível sobreviver. Ele sustenta a família, o carro, sustenta o banco e os juros; são ou não sustentáveis tais condições das bolsas, inclusive alguém sustenta a bolsa no sentido de carregar pendurado. 

E pendurado tem mais coisa ainda: veja que pendurado é o sujeito que está no prego e é insustentável; quer-se dizer que aquele cara tem altas dívidas e acabou cedendo ao banco depositário fiel aquilo que acreditava suster, mas que incondicionalmente o deixou endividado. Endividado!

Impossível de dividir, ou mal dividido, ou mal resolvido, sem grana, sem meios – impossível de realizar a operação da divisão -, sem resolução cabível.

Aliás cabo, pedaço de terra, mar à costa, cumprimento que atinge um objetivo evidente, no caso água do mar, o sujeito que dá as ordens imediatas à seu subalterno, aquilo que faz papel de alavanca, faz mover algo dependente de uma ação – no caso o cabo da enxada -, dando cabo ao assunto, capaz de executar, realizar, definir, terminar, um apêndice, que é parte, pedaço de algo que foi dividido, coisa que veio de uma divisão militar por exemplo, e aí vem cabotino, repetitivo, cumpridor de tarefas, refreado, diferente de encabado, que quer dizer preso à uma circunstância, preparado, destituído também de outra possibilidade, que não vai adiante.

Adiantar, ante a todos os problemas, o melhor é seguir. Quer dizer, ao andar no tempo, fazer a vida, ver o dia novamente, atentar ao dia, seguir passo-a-passo, tomar caminho, confiar, ser esperto, oportunista, tomar lugar, reavaliar as condições com rapidez, ‘meritoso’; está adiantado, superior, acima das condições propositadas, faminto, expedito, laborioso. 

Labora, segue até ficar no bora, isto é, vermelho, cansado, exausto. Elabora, gasta energia, transpira e se coa em realizar essa lida. 

Por isso lídimos são os que que por lidarem tanto, realizam a lide. O que faz ou é resultante da lida, por isso se dá liderança aos que lideram. Aos que sabem trabalhar a situação de produzir algo, a mercadoria.

Seja idéia ou produto material. A coisa mercadoria tem muito a ver com transações monetárias. Os assuntos mercadológicos. Escambo, troca, a mediação, uma espécie de política de mercadores de tralhas que vendem vidas. E morrem a quererem ser o tempo e jamais lídimos por não cavarem de suas próprias mãos a vida, mas a morte a má sorte dos desvalidos, nós.

E nós é isso mesmo, vários nós na corda como que um contínuo, uma tripa. Uma coisa sobretudo amarrada, enlaçada em si mesma que faz o coração, a dizer das tripas, o coração. A vida humana feita disso, de uma mercadoria enosada que podemos lidar para destrinçar.

Esse nós que é feito do nó, do arrocho que nos unem e nos despedaça.

Aí é o seguinte: lareira, lar, labareda, lábaro.Labor (trabalho), energia gasta para um fim adiantado em si mesmo para ser dividido a todos o alimento que a cabo conseguiu laboriosamente porque o fogo interior, a centelha conhecida entrega de semideus, oferenda roubada, a luz o esclareceu e o fez  melhor.Tornou-se caminho a ser iluminado a aquecer pessoas que pregoaram esse desejo de luminescência.

Bom é um negócio de ‘lumen’, você entende.

E negócio nada mais é que negar o mais importante (que nem mesmo precisa de luz (fialho) ou filho de luz, ou centelha), o ócio e isso é algo incrível no espreguiçamento. Mas negar tem uma raiz ao negro, ao africano.Tenho a impressão que negativo carrega a beleza de não fazer que parece ser ‘pregável’ ao sentido mais ilustrativo possível de que a desobediência é o ato da liberdade garantida, e negar-se é ao menos, no mínimo paz, descanso, alegria que não se tira de ninguém, mesmo na submissão aos que não param, negociam, fazem tratos e tratados, doutrinam a quietude e o bem estar a um eterno movimento imposto.

O ócio mostra um reconhecimento de si ao que não mais necessita realizar.Vender o descanso, o estado natural de vida dormitada, sonhada, desejada, de entregue a si mesmo é a negociação.

Como que tudo estando em movimento exigisse a todos, os que estejam assim, por serem assim jogado à roda de Shiva, ao tempo dançarino na roda viva se metessem a querer alcançar os deuses para lhes tomar as distâncias, os futuros para o enriquecimento de quem os manda.Mão a dar-nos porrada.

Vendem o mais precioso rico que somos, o que realmente temos – porque nos perdemos no tempo guiados ao indefinido -, a felicidade de não fazer.

E se deita ao tempo que indefinidamente segue na carruagem ao lugar do jamais feito e conhecido, que nos dá a surpresa da vida.Despregados dos infelizes, libertinos em nossos prazeres, jogados além e na certeza da nulidade do açoite.Um instante de nossa eternidade chacoleja à brida de Krishna.

Sem nos pôr nada às ancas, sem nos escancarar, porque longe de tudo está o que não é presente.

O imediato insustentável só existe na abstração.

É desse despejo de tralhas que se ajuntam e se amaldiçoa os deuses, elas todas feitas das canções da labuta. A materialização do não-ser, do não-trabalho em se perder o tempo.

Do intervalo do trabalho querem que trabalhemos pregando obrigações, ética da obediência, de subserviência. Querem nos encantar com o lixo de suas histórias à subsunção, em nos coisificar à venda do tempo a nos despejar para pregar a vida na tábua de suas fortunas.

Atenta-se aos deuses esses coitados, do coito da sobrecarga, da mais valia, do pedaço em pedaço tornando o lazer a visita às lojas, onde assistimos boquiabertos as nossas perdas. Ali estão vistosos o descanso morto.

Coisados, coisificados, um treco a tareco qualquer se desgastam para sermos tais coisas.

‘Coisos’ ‘coisentos’ se cosem às meias do tempo ao cozer os dedos na panela de pressão das coisas mesmas, e que negamos, desobedecemos em nossa negritude de completa liberdade aos amos. Sem amos somos e menos pregáveis podemos ser nesse cozido da vida.

Meu pai era negro da cor da sombra escura com esmaltes laqueados e de riso amoroso que poucos tiveram, de bondade encantadora. Ele nunca soube disso. Nós não, éramos pregados no éter, coisa diáfana, transparente, leites escorridos, coalhada e vômito. Naturalmente filhos de um vizinho ou algum vendedor de verduras ou sei lá. Minha mãe era sardenta como areia e sal no vidro. Ela adorava fazer coisas erradas que certamente fazia por vingança. Vamos ao cinema? Hoje não dá. Pulava o muro alto da vizinhança e resolvia o filme.

Meu pai sempre, desde sempre amou seus filhos postiços. Ponto. Ele nunca nos surrava, nunca nos batia a cabeça à porta, nem jogava garfos em nossa garganta na hora do jantar quando perguntava sobre o boletim escolar. E nos levava ao jogo, ao parque de diversões e lia trechos magníficos de um cancioneiro popular com rima torta. Era algo além do comum. Era tipo, um tipo que me foge, tipo pai, é isso. Ele foi e sempre será o cara da minha vida, meu pai. Sensacional. A minha mãe, bem ela diferente, andava feito clara de ovo. Não se podia discordar. Nós dizíamos sim, sim, sim. Nos lavava no álcool com água morna, queria nos tirar qualquer possibilidade da tísica, do sarampo. Ela escovava a pele até o vermelhão. A gente a adorava porque cantava canções amáveis. E, sério, amava papai. Cuidava dele, fazia os seus gostos. Ele, como disse antes, às vezes deixava estar e ela corria à rua pelada. Ele ia ao seu encontro daquele jeito rápido e pertinaz, a enrolava em uma coberta e a trazia amorosamente para casa. Cuidava dela como de um bibelo, com doçura e paciência. Quando ficou idosa e lembrava apenas do passado ele a ajudava, trocava fraldas, lia horas sem fim ao seu lado as histórias que amava. E se foi. Ele, de súbito quando voltava da várzea.

Pregado ao amor, ao desespero de amar e viver o nosso grupo se amontoava. E a vida de ser rebatido, de ferir a cabeça para enterrar o ferro por qualquer razão crescia no bairro até chegar ao fim do mundo. São deveres cravados, direitos enfiados no veio. E quem vive de direitos pouco se sabe se a nós os deveres se fazem no prego.

Estado que nos come a fazer pregas de nossa idade. Pró régio, prévio e dito de um rei que nos invade o tempo. E a tirar, em fitas de laço duro, prego, a vida no chicote da comparação estúpida que faz a doutrina, o direito no esquerdo que lhes dá a mesma medida da batida, em ferir a possibilidade de alegria.

Só rimos do cinismo, da piada má. Identificamos toda essa parafernália na idiotia de risos porque nos vemos, os que são retirados da carruagem de Vishnu.

Ainda que siga a arte, a criatividade absurda e intempestiva de Krishna, nós, os Arjunas somos arremessados no turbilhão da guerra. Matamos os nossos irmãos, aqueles que são chamados nós mesmos.

Queria ter sido como meu pai. Eu me esforcei para isso. Lutei contra o couro rígido da pena e do medo. Ninguém ousou dizer: ele não é filho dele. Todos o viam com o respeito e seriedade de um homem preso na cruz de toda uma vida amada.